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Allamanda cathartica, alamanda-amarela

Allamanda cathartica L., espécie nativa do litoral norte do Brasil, ideal para compor cercas-vivas e caramanchões.

Allamanda cathartica L., espécie nativa do litoral norte do Brasil, ideal para compor cercas-vivas e caramanchões. Foto de Dagmar Laus.

Dados Botânicos

Nome CientíficoAllamanda cathartica L.;

Sin.: Allamanda cathartica L. var. hendersonii (Bull. ex Dombrain) L.H. Bailey & Raffill, Allamanda hendersonii Bull. Ex Dombrain, Allamanda nobilis T. Morre (ver nota, ao final da descrição);

Nome popular: alamanda-amarela, carolina, dedal-de-dama, alamanda;

Família: Apocynaceae

Ocorrência: Litoral norte e nordeste do Brasil;

Ciclo de vida: Perene;

Luminosidade: pleno sol;

Irrigação: Regular, depois de adulta, exige poucos cuidados;

Clima: Tropical.

Floração: Primavera e verão, principalmente.

Dificuldade: Baixa.

No paisagismo brasileiro, as alamandase, em especial, a Allamanda cathartica L. têm um patrono especial. Seu potencial estético foi descoberto e elogiado por ninguém menos do que Roberto Burle-Marx, responsável também pela primeira utilização da espécie num grande projeto paisagístico – Projeto para o Parque do Ibirapuera, Setor junto ao Palácio das Indústrias, 1953. Trata-se de um dos trechos desenhados pelo paisagista para o Ibirapuera (infelizmente, falta-nos uma imagem desse trecho). Com efeito, as alamandas atraem tanto pelo vigor de sua folhagem, quanto pela permanência da floração, que ocorre quase o ano inteiro.

Além disso, podem ser utilizadas como arbustivas ou trepadeiras. Essa dupla característica, permite-lhe aparecer, no projeto, ora como mancha colorida devido ao volume arbustivo e à protuberância das flores, ora como detalhe, quando corretamente conduzidas na qualidade de trepadeiras.

Em termos botânicos, Allamanda catharticaL. é uma trepadeira semilenhosa, cuja ocorrência se estende desde o litoral norte até o litoral leste brasileiro. Trata-se de uma planta muito vigorosa, utilizada tanto no paisagismo urbano quanto no residencial, para compor caramanchões e portais ou como cerca-viva, sempre conduzida com amarrilho.

Naturalizada no sul do Brasil, tem baixo potencial invasivo para essa região, podendo ocorrer espontaneamente em perímetro próximo ao original, sem, contudo, tornar-se um incômodo.  

Além dela, ocorrem também outras três espécies de Allamandas muito utilizadas. São a Allamanda blanchetti A. DC. (de flor roxa), a Allamanda laevis Markgr. e a Allamanda polyantha Müll. Arg., todas amarelas e muito similares. 

Algumas bibliografias se referem à Allamanda cathartica L. e a Allamanda nobilis T. Morre como plantas idênticas. Há, no entanto, algumas controvérsias. O World Checklist Of Selected Plant Families, do Royal Botanical Gardens, Kew, por exemplo, refere-se a elas como duas espécies distintas e aceita a nomenclatura aqui utilizada para cada uma das duas espécies. Uma vez que essa instituição faz, inclusive, referências a dados moleculares para afirmar serem duas espécies, cuja semelhança a olho nú, diga-se, é quase imperceptível, aceitamos o que indica a instituição.

Cuidados básicos e adubação

Pouco exigente, a alamanda-amarela pode ser plantada em canteiros de solo drenável e rico em matéria orgânica, irrigado a intervalos. A adubação pode ser feita uma vez ao ano, entre o outono e o inverno.

A reprodução é feita por estaquia, na primavera.

Allamanda cathartica L. no paisagismo 

Por ser planta vigorosa e de extensa floração (ocorre o ano todo), a alamanda-amarela é uma espécie versátil, que pode ser empregada na construção de portais e caramanchões, como cerca-viva ou ainda formando maciços, sempre bem conduzidos. 

Por engano, ou economia, uma vez que a Allamanda cathartica é mais comum, tem sido utilizada amiúde na composição de maciços a pleno sol em canteiros centrais ou a beira de estrada. O uso da alamanda em maciços não está proibido, pelo contrário. Ocorre que, como é feito, sem uso de qualquer suporte, a planta parece tender a se espalhar horizontalmente, perdendo impacto visual. Para esse fim, há espécies mais recomendadas e que, por serem verdadeiramente arbustivas, no aspecto visual, criam manchas mais significativas e adequadas aos canteiros, especialmente para as estradas, como é o caso da Calliandra tweediei Benth., ou a Calliandra brevipes Benth, ambas nativas do Brasil.


Arte Botânica

Imagens retiradas do http://www.plantillustrations.org


Referências e links interessantes

Plantas Ornamentais no Brasil livro de Hari Lorenzi e Hermes Moreira de Souza. Clique no link para ir a livraria cultura.

Modernidade Verde: Jardins de Burle-Marx, livro de Guilherme Mazza Dourado.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.