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Ceiba speciosa, paineira

Ceiba speciosa, paineira

Flor da Paineira. Foto de Dario Sanches a partir do Flickr (ver referências).

Dados Botânicos

Nome CientíficoCeiba speciosa (A. St.-Hill)Ravenna;

Sin: Chorisia speciosa A. St.-Hill; 

Nome popular: Paineira, paineira-rosa, árvore-de-paina, paina-de-seda, barriguda, árvore-de-lã, paineira-fêmea;

Família: Malvaceae (ex Bombacaceae)

Ocorrência: Bolívia, Brasil e Colômbia;

Ciclo de vida: Perene;

Luminosidade: Sol pleno;

Irrigação: regular, 2 a 3 vezes por semana, o solo deve ser mantido úmido, sem encharcar;

Clima: Tropical e subtropical.

Floração: Outono.

Dificuldade: Baixa.

Paineira é uma árvore típica de florestas latifoliadas semidecíduas, com folhas digitadas e compostas por cinco folíolos. Durante fase jovem apresenta acúleos por todo o tronco e ramificações superiores. Esses espinhos têm a função de acumular água para os períodos de seca. Da mesma forma, a Ceiba speciosa apresenta, ainda na fase jovem, caule esverdeado, o que lhe permite, quando perde as folhas, continuar a fotossíntese.

Na maturidade, o caule vai mudando de coloração do verde para rosa, daí um dos nomes populares – paineira-rosa -, os espinhos começam a desaparecer na parte inferior e, com os anos, também nos galhos mais altos. Atinge até 30 metros de altura, com 2 metros de caule à mostra e 120 cm de espessura. Na base desse, forma-se normalmente uma espécie de bojo ou alargamento que o faz assemelhar-se à uma garrafa e, no vernáculo, empresta-lhe o nome “barriguda”.

A paineira é uma das árvores mais icônicas do Brasil, estendendo-se desde o sudeste até o extremo-sul, ocorrendo também no norte argentino, Paraguay e Bolívia. Trata-se de uma árvore pioneira, que cresce ocasionalmente no interior de matas primárias e mais comumente em matas secundárias, em terrenos alagadiços e encostas, com uma estação de seca.

A floração é abundante e muito bonita, de coloração rósea e se inicia em fins de fevereiro, prenunciando a chegada do outono. Em seguida, começa a queda das folhas, permanecendo desnuda até o fim da primavera, ainda com os frutos expostos, quando começam a retornar as folhas.

Do fruto, ovalado e grande, verde, símil ao abacate no exterior, extrai-se uma paina (de onde o nome, paineira), material equivalente ao algodão, muito macio e que outrora foi muito utilizado como enchimento de travesseiros e colchões. A madeira é leve, muito mole, de pouca serventia para a construção civil, porém adequada a fabricação de utensílios como gamelas, caixotaria e também cepa de tamancos etc.

Menos conhecido é o uso medicinal, do qual fazem referência alguns artigos científicos disponíveis na internet. São usadas as flores e espinhos como diurético e analgésico [¹]. Há também referências do uso da casca para aliviar hérnias e ínguas.

Assim como o Garapuvu (Schizolobium parahyba), faz-se dela canoa de um pau só. Daí uma das possíveis origens de seu nome de gênero Ceiba, que seria o nome dado à Ceiba pentandra, espécie caribenha, utilizada para o mesmo fim pelos índios Taínos. Há uma outra interpretação, no entanto, de que derivaria da palavra indígena (o autor do texto de referência não faz menção a qual delas seria) cy-yba ou “árvore-mãe”.

Speciosa, por outro lado, é adjetivo latino: belo, vistoso, que encanta os olhos. 

A beleza e complexidade dessa árvore já foi retratada em artigo poético de João V. M. Ramos, aqui no Jardim de Calatéia.

Cuidados básicos e adubação

Necessita de solo fértil e de bem drenado, regado a intervalos curtos nos primeiros estágios de vida. A Paineira é uma heliófita – gosta de luz solar intensa-, seletiva higrófita – procura locais com solo muito úmido e suporta determinado período de seca por ano. É excelente para a recuperação de áreas degradadas em razão de seu rápido crescimento, especialmente nos períodos de chuva.

Ceiba speciosa (A. St.-Hill) Ravenna no paisagismo 

A paineira é muito utilizada na composição de parques e praças, principalmente em larga escala. Seu grande porte e copa globosa não a recomendam para uso em ruas debaixo de fios de alta tensão. 


Arte Botânica

Imagens retiradas do http://www.plantillustrations.org

Ceiba speciosa, paineira

Publicada em Floria Brasiliensis

 


Referências e links interessantes

 http://nossasarvores.greennation.com.br/content/tree_specie/12 (uso medicinal)

[¹] Stiefkens et al. Ceiba speciosa, hoja y contaminación ambiental. Arnaldoa, Universidad Privada Antenor Orrego de Trujillo, Peru, v.14, n.1, p.71-76, Jan-Junho, 2007.

Lorenzi, H. Árvores Brasileiras. vol.1. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2000.

Fotografias de Mauro Guanandi

Fotografias de Dario Sanches

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.