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Cereus jamacaru, Mandacaru

 

mandacaru, cereus jamacaru

Rainha da noite, a Flor do Mandacaru abre-se depois que o sol se põe e logo que termina de mostrar-se, fecha lentamente, pra não mais abrir.

Dados Botânicos

Nome CientíficoCereus jamacaru P. DC.; 

Nome popular: Mandacaru; 

Família: Cactaceae; 

Ocorrência: Desde o nordeste brasileiro, até o Uruguai e Argentina 

Ciclo de vida: Perene

Luminosidade: Sol pleno

Irrigação: tolera grandes períodos de seca;

Clima: Tropical e subtropical;

Floração: Verão;

Dificuldade: Baixa.

Embora o uso paisagístico do Cereus jamacaru tenha decaído nos últimos anos (não figura, por exemplo, entre as espécies de Plantas Ornamentais do Brasil, de Lorenzi), o Mandacaru pode ser colocado ao lado da bananeira e do coqueiro entre as plantas com mais relevância na iconografia brasileira. Ganhou fama como um dos símbolos nacionais com os modernistas, especialmente Tarsila do Amaral, e foi elevada à condição de planta ornamental no projeto da residência dos Warchavchik, a famosa Casa Modernista, de São Paulo que, hoje, já não tem nenhum exemplar no seu jardim. Virou símbolo ora da austeridade do sertão nordestino, ora da imponência da figura nacional do antropófago, apregoada por Oswald de Andrade e que serve de inspiração para o quadro Aboporu, de Tarsila.

Da família das Cactáceas, é uma herbácea com até 6 metros de altura, cuja ocorrência se estende desde o sertão nordestino, até os pampas, na Argentina e Uruguai, passando pelo interior paulista e pelo litoral catarinense. Sua ocorrência em ambientes tão variados pode levar a crer que trata-se de planta com alto poder de adaptação, mas dizê-lo não condiz totalmente com a verdade.

Conforme nos ensina Aziz Ab\’Saber, em seu Os Domínios de Natureza no Brasil, a ocorrência do Mandacaru indica pequenos redutos de vegetação que se agrupam sobre frestas de rochas e lajeados, que, no conjunto, denunciam as mudanças climáticas ocorridas naquele local. 

Dentre as cactáceas de grande porte, é uma das mais esculturais e imponentes, pois eleva-se do chão bifurcando-se em “braços” que podem dar origem a uma nova planta como forma de reprodução. Com o passar do tempo, sua base forma lignina constituindo caule lenhoso, daí ser considerada uma árvore pelos botânicos.

A flor, branca, aparece no início da noite e murcha logo ao amanhecer. O fruto é comestível e suas qualidades alimentícias podem ser conferidas nesse pdfque estuda as características fisico-químicas do fruto. Na web, há inúmeros outros blogs que fazem referência a respeito. Faço menção ao Poder das Frutas, cuja descrição é mais palatável a leitores menos inclinados a textos científicos.

Outra utilização bastante usual do Cereus jamacaru é para a alimentação do gado bovino. Para isso, corta-se as laterais espinhosas e dá-se a polpa aos animais. Uma espécie de regiões mais chuvosas vem sendo distribuída pela Embrapa para uso no cultivo do gado. Com a ação, pretende-se diminuir a retirada do Cacto de forma extrativista o que poderia colocá-la em risco de extinção. 

Cuidados básicos e adubação

O cultivo do Cereus jamacaru P. DC. é recomendável ao pequeno agricultor do semi-árido nordestino, que sofre com a escassez de chuva e parcos recursos, servindo de alimentação aos animais nos períodos críticos, conforme relata o Eng. Agr. Marcos Roberto Furlan em seu Quintais Imortais. Da mesma maneira, é planta recomendável para o paisagismo em regiões de alta insolação. Sua utilização não apenas embeleza e valoriza a propriedade, como diminui os custos com a manutenção.

Para a reprodução, escolha um braço e plante-o em substrato bem drenado e com pouca rega. Esse estudo, indica a utilização de:  casca de arroz carbonizada, vermiculita fina , vermicomposto e areia (3:3:2:2 v/v), como o substrato mais eficiente.

Mandacaru no paisagismo

Como já foi dito anteriormente, sua utilização decaiu no paisagismo saiu de moda quando a tendencia modernista na arquitetura brasileira foi substituída. O que, aliás, é uma pena. Por sua imponência, pode ser utilizado como planta isolada, tornando-se uma escultura viva, ou em grupos, próximo a colunas e ao costado da edificação, valorizando a força da mesma.


Arte Botânica

 

 


Referências e links interessantes

http://www.noclimadacaatinga.org.br/ver_noticia.php?id_noticia=60

http://www.acaatinga.org.br/wp-content/uploads/2010/09/17-cap.-12.pdf

http://www.cnpat.embrapa.br/viensub/Trab_PDF/sub_73.pdf

Quintais imortais

Sketching in Nature

Plantas Ornamentais no Brasil livro de Hari Lorenzi e Hermes Moreira de Souza. Clique no link para ir a livraria cultura.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.