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Clerodendrum thomsoniae, lágrima-de-cristo

Clerodendrum thomsoniae, lágrima-de-cristo

Dados Botânicos

Nome Científico: Clerodendrum thomsoniae Balf.;

Sin.: Clerodendron thomsonae Balf.; Clerodendrum thomsoniae var. balfourii B.D. Jacks. ex Dombrain;

Nome popular: Lágrima-de-cristo, clerodendro-trepador;

FamíliaLamiaceae;

Ocorrência: África ocidental;

Ciclo de vida: Perene;

Luminosidade: Pleno sol e Meia-sombra;

Irrigação: 1 vez por semana;

Clima: Equatorial, Tropical e sub-tropical.

Floração: Primavera e verão, principalmente.

Dificuldade: Baixa.

Lágrima-de-cristo é uma trepadeira semi-lenhosa com ramificação saliente e floração igualmente exuberante. As folhas são ovaladas e verde-escuras, com nervuras bem demarcadas e levemente brilhantes na parte superior. As flores brotam de cachos terminais, em que se destacam os cálices (parte basal da flor e que lhe serve como proteção) normalmente brancos ou com detalhes em rosa, ou ainda de um pálido violeta.

Apresentam-se como pequenos glóbulos, inicialmente fechados, de onde, posteriormente, emergem as flores vermelhas, dando a ilusão de uma cascata colorida. Com efeito, essa liana de porte médio (atinge no máximo 3-4m de altura) é ideal para cobrir colunas e caramanchões, proporcionando boa sombra no verão e colorido durante quase todo o ano. 

A origem do nome popular, lágrima-de-cristo, é obscura. Alguns atribuem-na ao fruto, de aparência globoso, com as sementes saltando da carne vermelha como se fossem dois olhos. Duas cascas laterais também avermelhadas lembram lágrimas de sangue. Outra possibilidade seria a própria flor, constituída por uma corola tubulosa de coloração purpúrea e que emana do cálice mimetizando, ela mesma, uma lágrima. A literatura, no entanto, não faz referências e muito menos referenda qualquer uma dessas interpretações. 

É mais uma de nossas ornamentais com origem no continente africano, no caso, a porção ocidental que vai desde Camarões até o Senegal. A espécie foi “descoberta” por W. C. Thomson, botânico escocês, membro da missão presbiteriana, em 1861. Thomson enviou algumas sementes e exemplares da planta para a Inglaterra, juntamente com algumas anotações. John Hutton Balfour, Professor de Medicina e Botânica, foi o responsável pela descrição da lágrima-de-cristo, daí ter ela o nome thomsoniae em homenagem ao botânico escocês.

Se, por um lado, o nome popular tem origem controversa, o gênero Clerodendrum é digno de nota e parece ter sido moldado por essa planta. Dendron, como deve saber o leitor, significa árvore. O prefixo Clero,  porém, é o que aqui nos interessa.

Do latim “clerus”, originando-se ainda do grego “kleros”, significa azar ou chance. O termo com o qual designamos o corpo eclesiástico da igreja católica, Clero, tem a mesma origem, mas a acepção só lhe é atribuída nos primeiros séculos do cristianismo, quando a palavra passa a significar o terreno destinado ao edifício igreja e, por conseguinte, o corpo sacerdotal. Carl von Linneu atribuiu o nome Clerodendron (atualmente, a grafia latina Clerodendrum é a mais aceita) a uma planta muito utilizada pelos clérigos do Ceilão, atualmente Sri Lanka.

Para os gregos antigos, no entanto, kleros era o nome das peças, pequenas bagas ou pedras, posteriormente, bolas de cerâmica, que eram colocadas em um recipiente e tiradas ao azar, a guisa de sorteio. Uma vez que esses sorteios não raro estivessem associados a nomeações políticas (Atenas) ou disputas territoriais, o nome logo ficou associado à posse da terra, distribuída entre os interessados ou herdada. 

Há ainda outro significado, mais antigo, vinculado ao verbo grego correspondente a quebrar, romper. 

Será mera coincidência (se é que o azar existe) o fato de que Mr. Thomson tenha descoberto a Lágrima-de-cristo justamente às margens do Calabar? Se o nome não soa ao leitor, deixe-me lembrá-lo: o Calabar é um rio que deságua no Atlântico pela Nigéria. O Calabar é o rio por onde escoavam os europeus escravos africanos, destinados, entre outros, ao nosso Brasil.

“Às margens salgadas do velho Calabar”, escreveu Thomson a John Hutton Balfour. E esse, em sua descrição, acrescentou que o contraste de cores (violáceo, branco, púrpura) a habilitam para o cultivo doméstico.

O azar nos rendeu, pela diáspora africana, uma belíssima planta ornamental…

Cuidados básicos e adubação

Não se trata de uma planta muito exigente. Ao contrário, adaptou-se muito bem ao nosso clima, sendo inclusive recomendada para as regiões litorâneas. A adubação pode ser feita uma vez ao ano. Quando muda, manter protegida do sol direto.

Espécie no paisagismo 

Ideal para a cobertura de cercas e paredes. Também muito utilizada em caramanchões.


Arte Botânica

Imagens retiradas do http://www.plantillustrations.org 


Referências e links interessantes

Tropicos

Plantas Ornamentais no Brasil livro de Hari Lorenzi e Hermes Moreira de Souza. Clique no link para ir a livraria cultura.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.