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Epidendrum fulgens, Orquídea-da-praia

epidendrum fulgens

Orquídea da praia, ou Epidendrum fulgens, espécie comum no litoral, faz parte da vegetação de restinga

Dados Botânicos

 Nome CientíficoEpidendrum fulgens Brongn.;

Nome popular: Orquídea-da-praia, orquídea-da-restinga, sumaré-da-praia; 

Família: Orchidaceae;

Ocorrência: Vegetação de restinga, Rio de Janeiro até norte do Rio Grande do Sul;

Ciclo de vida: anual;

Luminosidade: Sol plenomeia-sombra;

Irrigação: tolera curtos períodos de seca;

Clima: Subtropical e temperado;

Floração: Primavera e verão.

Dificuldade: Baixa. 

Conhecida como Orquídea-da-praia, ou orquídea-de-restinga, ou ainda comumente pelo seu nome científico Epidendrum fulgens, essa é uma orquídea bastante rústica com um toque delicado na composição das flores em buquê ao final do ponteiro. Comumente encontrada em vegetação de restinga, com solo arenoso, assume, por vezes, comportamento rupícula e até mesmo epifítico, embora seu habitat natural seja mesmo as dunas.

É cultivada em algumas regiões do país como flor de corte, mas seu uso paisagístico ainda está por ser descoberto. Pode ser utilizada em telhados verdes, ou compondo  maciços a pleno sol ou meia-sombra. Nesse sentido, assume formas levemente diferenciadas, conforme a incidência solar.

A organização das folhas em relação ao bulbo difere-se conforme a incidência de luz. Em situações de meia-sombra, a haste torna-se longa, podendo alcançar até 1m de comprimento enquanto, a pleno sol, raramente ultrapassa os 60cm desde a base até o último par de folhas. 

 

A reprodução se dá por polinização cruzada (é uma polinizador-dependente), mas a captação de mudas é bastante fácil após a floração, por estacas-ponteiro.

Quanto as flores, difere-se da maioria das orquídeas por ser não-ressupinada, ou seja, a pétala inferior não aponta para baixo. Além do mais, uma característica bastante notável dessa mini-orquídea é o fato de seu lábio ser trilobulado, dispostos em cruz, daí ela ser classifica como orquídea-crucifixo (em inglês, crucifix orchid).


Curiosidades

  • Estudos buscam estabelecer um sistema mimético entre a E. fulgens e a L. camaraSendo a Orquídea da praia não produtora de néctar, a atração de polinizadores se daria por semelhança com a Lantana.
  • A palavra Epidendrum deriva do gr. epi=”sobre”, e dendron=árvore. O gênero foi criado por Linnaeus e enquadrava todas as espécies epífitas de orquídeas. Hoje, nenhuma dessas espécies é classificada no gênero.

Pragas e doenças

É uma espécie rústica. Os cuidados devem ser mesmos que com outras espécies de orquídeas.

Como cultivar a Epidendrum fulgens

Substrato para orquídeas terrestre misturado com areia ou vermiculita para facilitar a drenagem. A irrigação deve ser mais freqüente no verão.

Sumaré-da-praia no paisagismo

O cultivo comercial da Epidendrum fulgens, infelizmente, ainda é pouco desenvolvido. Ainda que seja de cultivo pouco exigente, sua beleza “ordinária” atrai muito mais turistas e aventureiros de nossas encostas do que os produtores de orquídea. É uma pena, porque suas adaptabilidade a diversas situações a habilitam ao uso paisagístico não apenas como flor de corte mas também para a composição de telhados e paredes vivas. 

Se bem não seja uma espécie considerada em extinção, sua produção para esses fins poderia livrá-la do extrativismo selvagem de que, a cada temporada, é vítima nas praias do nosso litoral.


Arte Botânica

Ilustração da artista Lu Mori para a série Diários de Botânica.

Ilustração da artista Lu Mori para a série Diário de Estudos Botânicos.


Desenho botânico da Epidendrum fulgens

Publicada em Voyage autour du monde sur la corvette de S.M. La Coquille, pendant les années 1822-1825, Atlas, t. 43 (1826). A partir de plantillustrations.org


Referências

Eol.org

Epidendrum, fotossíntese e saturação luminosa

Plantillustration.org

Anatomia floral de E. fulgens  – artigo científico

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.

  • Esta espécie também é encontrada no litoral do Estado do Espírito Santo (endêmica). Encontrei grande quantidade também no Monte Mestre Álvaro (Serra – ES).