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Ocimum basilicum, basilico, manjericão e outras variedades

 

manjericão, basilico, ocimum basilicum

Ocimum basilicum L. uma espécie, muitas variedades: manjericão, basilico, manjericão roxo, manjericão folha-de-alface, entre outras.

Dados Botânicos

Nome CientíficoOcimum basilicum L.;

Sin.: Ocimum thyrsiflorum L.;

Nome popular: basilico, manjericão, alfavaca, alfavacão, basilicão, erva-real, quioiô, remédio-de-vaqueiro;

Família: Lamiaceae;

Ocorrência: Índia;

Ciclo de vida: Anual;

Luminosidade: sol pleno;

Irrigação: regular, 4 a 5 vezes por semana, algumas variedades, como a alfavaca de folhas pequenas, mais comum, são mais resistentes;

Clima: Tropical, subtropical e temperado;

Floração: ano todo.

Dificuldade: Baixa.

Uma das ervas mais populares da culinária internacional, o Ocimum basilicum L., popularmente conhecido como manjericão, alfavaca, basilicão ou até quioiô (Bahia), chegou ao Brasil por intermédio da imigração italiana, cujas receitas de pesto e pizza marguerita estão entre as mais populares. Aromática, de alto valor nutricional (estão presente nas folhas bons níveis de Ferro, Vit. A, Cálcio, Magnésio e Vit. C, entre outras), ganhou o gosto popular e disseminou-se país a fora, inclusive como planta medicinal – ver tabela com valores nutricionais, abaixo.

Os diferentes tipos de manjericão cultivados no território nacional, no entanto, comumente causam grande confusão. Acreditasse, por exemplo, que o legítimo é o basilicão, considerado o manjericão italiano por excelência. Em detrimento, a alfavaca ou manjericão-comum, de folhas menores e com aroma mais forte, é relegada a erva de segunda ordem.

Nada mais afastado da verdade. As duas plantas pertencem a mesma espécie, sendo apenas variedades, assim como tantas outras que compartilham o mesmo nome. Por exemplo, o manjericão folha-de-alface, ou toscano, cujo aroma adocicado lembra o anis, e o manjericão roxo (podendo ser com as folhas maiores, iguais às do basilicão, ou menores, como as da alfavaca), que tem sido erroneamente nomeado Ocimum purpuraceus em diversas páginas brasileiras

De toda maneira, ocorrem por aqui ainda três outras espécies do gênero Ocimum: o Ocimum grassimum L., também oriental e que ocorre de forma subespontânea e o Ocimum selloi Benth., além do Ocimum campechianum Mill.,  nativos do sul do Brasil. Os últimos possuem fragrância semelhante ao anis e são bem recomendados para temperar peixes. 

Além dos atributos culinários, o manjericão tem uma longa história no folclore e como erva medicinal, que abordamos abaixo. Preparamos também uma pequena lista das variedades mais cultivadas no território nacional.

Usos medicinais

Além do uso culinário, o Ocimum basilicum L. é amplamente utilizado na medicina tradicional, ou popular. O chá dessa planta é bem conhecido no combate a doenças respiratórias e complicações digestivas e intestinais. O naturalista romano Plinio, do século I D.C., relatava que a erva também aliviava a flatulência. 

O chá de manjericão com grãos de pimenta é usado para baixar a febre. Com efeito, a farmacologia moderna demonstrou já muitos dessas propriedades, além de apontar outras, que incluem o combate a infecções baterianas.

Outra aplicação comum é para bochechos e gargarejos. Nesse caso, a receita, indicada no livro Plantas Medicinais no Brasil – nativas e exóticas, de Hari Lorenzi, é a seguinte:

  • Preparar o chá em decocção (ferver as folhas junto com a água), na proporção de meio litro para 50 gramas de folhas secas. Deixar resfriar antes de utilizar.

Quanto ao uso medicinal, por fim, há uma pequena ressalva a se fazer. O uso do óleo essencial da planta, obtido pelo método de infusão, no preparo do chá, não é recomendado durante os três primeiros meses de gravidez. A advertência se encontra tanto no livro de Hari Lorenzi, quanto em outros sites especializados

O consumo da folha fresca, em salada ou como tempero (vale ressaltar, adicionado a comida sem cozimento), é altamente recomendado às gestantes, pelos valores nutricionais que indicamos abaixo.

História, folclore e usos litúrgicos do manjericão

Tão complexo quanto seu sabor, aroma  e usos medicinais, é a história do Ocimum basilicum L. na cultura ocidental. No Brasil, a planta foi incorporada na sabedoria popular, tanto na forma de chá, quanto na preparação de banhos aromáticos. Esse uso foi introduzido por intermédio da imigração européia e revitalizado pelas tradições africanas.

Ritos afro-brasileiros como o Candomblé e a Umbanda a incluem entre suas ervas preferidas. Compõe, por exemplo, o amaci (banho) de Orí (aurea) e dá-lhe um nome específico, quioiô, como é ainda chamado na Bahia pelos adeptos dessas religiões. Erva fundamental para o banho, seu emprego está associado a proteção e harmonização do ambiente.

O emprego do basilicão em banhos aromáticos, contudo, não se restringe, nem foi inventado pelos ritos afro-brasileiros e foi registrado já na Europa, desde a antiguidade. Naquele continente, acreditava-se no poder restaurador dessa planta, que também era associada com o amor. Daí o seu emprego em banhos aromáticos ter se disseminado já nos primeiros séculos em que foi introduzida no “velho mundo”.

Conta a história que o responsável por isso teria sido Alexandre, o Grande, cujos domínios, como se sabe, se estenderam até as proximidades das Índias. De ínicio, o basilicão não foi uma unanimidade. Para começar, a origem do nome é controversa. De seu nome seu nome científico sabemos que Ocimum deriva do grego okimon (cheiro, fragrância) e que basilicum deriva também do grego basileus (rei, tirano). Por isso, a erva foi muitas vezes associada a realeza e à bravura.

Há, no entanto, uma polêmica quanto a essa versão. Na antiguidade como na idade média, o manjericão foi vista tanto como uma planta benéfica, quanto como algo pernicioso, associado a rituais de bruxaria. Alguns autores chegam a referir a origem do seu nome, não ao substantivo real (basileus), como já foi dito, senão como uma corruptela de basilisko, nome dado a um ser mitológico, misto de serpente e dragão.

Qualquer que seja a origem correta, o certo é que, na Grécia Antiga e nos mosteiros da Idade Média, tinha-se a crença de que, para crescer forte, o Ocimum basilicum L. tinha de ser desprezado e até insultado. Para facilitar a germinação da semente, dizia-se, era necessário vociferar e blasfemar contra a terra, para que a planta germinasse. Se, por um lado, entre os gregos a tradição da blasfêmia durante a semeadura remonte aos ritos dionisíacos, durante a idade média, o basilicão foi um dos alvos preferidos da maledicência popular.

Outros relatos dão conta de que os antigos acreditavam até mesmo que a planta pudesse causar hemorragias, ser causa de vermes, entre outros malefícios.
“[O] ocimum só existe para enlouquecer os homens”, dizia Chrysippus (206 a.C.), segundo um artigo publicado na enciclopédia Webster\’s em 1936. 

Foi por associação com a realeza e até mesmo com a religiosidade que, nos primeiros séculos do cristianismo, a sorte do manjericão virou. Na igreja ortodoxa Grega, por exemplo, acredita-se a erva crescia em abundância no local onde Constantino teve a visão da Cruz.

O manjericão nas tradições populares modernas

Hoje em dia, por sorte, o basilicão ganhou o gosto popular e é amplamente cultivada, até mesmo com fins ornamentais, nos quintais Brasil a fora. Além de estar incluída em ritos afro-brasileiros, o manjericão também faz parte da tradição portuguesa do dia de Santo Antônio, santo casamenteiro, como se sabe. 

Preparamos abaixo uma lista dos cultivares mais populares e seus usos culinários:

# Nome Popular Nome Científico Características Uso na culinária
1 Manjericão Ocimum basilicum Folhas pequenas, sagitadas, dentadas ou não. Flores brancas ou roxas conforme a variedade.Aroma levemente adocicado e intenso. Massas, pizzas, saladas e frutos do mar.
2 Basilicão Ocimum basilicum \’Genovese\’ Folhas largas verde-escuras (ou roxas), sagitadas, normalmente recurvadas. Flores brancas ou roxas. Aroma levemente adocicado, gosto forte, muito semelhante ao manjericão com maior intensidade no sabor. Massas, pizzas, saladas e ideal para o pesto.
3 Folha de Alface ou Toscano Ocimum basilicum \’Folha de alface\’ Folhas muito largas, crespas. Flores brancas. Aroma e sabor com toque de anis. Ideal para saladas e preparo de frutos do mar.
4 Manjericão francês Ocimum basilicum var. minimum ou Ocimum minimum Folhas miúdas, sagitadas, muito semelhantes ao manjericão comum. Flores brancas. Aroma perfumado. Preparo de molhos de tomate, saladas e omeletes.

Cuidados básicos e adubação

Quanto ao cultivo, convém observas as preferências de cada variedade. A alfavaca, ou manjericão comum, é a mais fácil de ser cultivada e adapta-se bem a situações de sol pleno como de meia-sombra, desde que receba no mínimo 3 horas de sol direto. De toda forma, quanto ao solo, as recomendações são a mesma: solo bem drenado e preparado com composto orgânico, mantido úmido.

A propagação é feita com muita facilidade por estaquia. Para isso, basta cortar um galho médio, retirar algumas folhas e deixar descansar em um copo com água por alguns dias, até criar raízes. Quanto a semeadura, recomenda-se fazê-la após o inverno ou nos meses mais quentes.

Importante! Para manter o vigor da planta por mais tempo e obter folhas com maior qualidade nutricional é necessário fazer podas regulares, principalmente nas pontas com floração eminente. 

Ocimum basilicum L. no paisagismo 

Embora seja uma planta anual, trata-se de um arbusto vigoroso, que não apenas embeleza o jardim como dá a ele um toque aromático inigualável. O canteiro e pode ser preparado misturando-se as variedades, compondo grupos, ou em volta de árvores e próximo a bancos.

Informações nutricionais do manjericão (a partir do blog Informações nutricionais):

# Quantidade /100 gramas
1 Água (%) 90,2
2 Calorias (Kcal) 29
3 Proteínas (g) 2,7
4 Carboidrato (g) 5,2
5 Fibra Alimentar (g) 4,1
6 Colesterol (mg) n/a
7 Lipídios 0,5
8 Ácido graxo saturado(g) 0,1
9 Ácido graxo mono-insaturado traços
10 Ácido graxo poli-insaturado 0,1
11 Calcio (mg) 258
12 Fosforo (mg) 258
13 Ferro (mg) 1,3
14 Potássio (mg) 261
15 Sódio (mg) 5
16 Tiamina (mg) traços
17 Riboflavina (mg) 0,12
18 Niacina traços
19 Vitamina C traços


Arte Botânica

Imagens retiradas do http://www.plantillustrations.org 


Referências e links interessantes

 http://en.wikipedia.org/wiki/Basil

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_basil_cultivars

http://basilguide.com/history-of-basil.html

http://www.alimentacaosaudavel.org/manjericao.html

Plantas Ornamentais no Brasil livro de Hari Lorenzi e Hermes Moreira de Souza. Clique no link para ir a livraria cultura.

Plantas medicinais no Brasil, nativas e exóticas. Hari Lorenzi.

Reader\’s Digest. Segredos e virtudes das Plantas Medicinais.

Plantes Médicinales. Textos de Jan Volák e Jiri Stodola. Ilustrações de Frantisek Severa. Ed. Gründ. 1984.

Basil Guide. An Herb Society of America Guide. 2003.

Flickr

F. D. Richard

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.