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Physalis peruviana, fisales-peruano

Physalis peruviana, fisales

Flor da Physalis peruviana L., foto de Dagmar Laus

Dados Botânicos

Nome CientíficoPhysalis peruviana L.;

 Sin.Alkekengi pubescens Moensch; Boberella peruviana (L.) E.H.L. Krause; Physalis edulis Sims.; Physalis pubescens L.;

Nome popular: fisales, phisalis, canapum, camapu, camarú, bucho-de-rã, joá-de-capote, tomate-capucho, mata-fome, alquequenje;

Família: Solanaceae;

Ocorrência: Perú;

Ciclo de vida: Perene;

Luminosidade: Sol pleno;

Irrigação: 2 vezes por semana;

Clima: Tropical e subtropical;

Floração: Ano todo, primavera e verão, principalmente.

Dificuldade: Baixa.

Physalis ou, simplesmente, fisales, é um sub-arbusto peruano da família do tomate, da batata, berinjela e do tabaco, que, quando cultivado, atinge até 2 metros de altura. A ramagem é espalhada, geralmente prostrada, pubescente, isso é, com uma pequena penugem recobrindo ramos e folhas, principalmente as mais jovens.

As folhas são ovaladas de ponta elíptica atenuada, com nervuras impressas, partindo do limbo em direção às bordas e ramificando-se no caminho umas em direção às outras, como se formassem uma teia. As flores são amarelo-creme, com manchas negras ou roxo-escuras no interior da corola, normalmente viradas para o solo.

A penugem dos ramos e das folhas, mais a mancha no interior da flor são uma das chaves para se diferenciar essa espécie da Physalis angulata L., planta comum nos quintais do norte e nordeste brasileiro e tida como nativa por alguns – ver Plantas medicinais no Brasil, de Harri Lorenzi, 2a. edição. Nenhuma das duas, no entanto, são naturais do Brasil, sendo, porém, subespontâneas em algumas regiões do país.

O fruto é redondo, laranja ou amarelo, envolto por uma capsula membranosas verde na fase inicial e seca, amarronzada, de textura semelhante a um papel fino. Essa cápsula é capaz de proteger o fruto e conservá-lo por até duas semanas (quando mantida intacta) após a colheita.

Etimologia

O nome physalis provém da palavra grega para “bexiga” e refere-se mais provavelmente ao formato do fruto, embora muito o atribuam a cápsula que o envolve. De toda forma, essa estrutura está presente em todos os frutos das mais de 50 espécies americanas de fisales.  

Usos culinários, medicinais e cultura andina

Physalis peruviana, fisales

Detalhe da flor do fisales. à diferença do P. angulata o peruviana possui essas manchas no interior das pétalas. Fotos de Dagmar Laus

Embora todas as culturas andinas possuam um nome próprio específico para essa fruta, há pouca evidência de que ela tenha sido cultivada em larga escala, nem que tenha sido modificada em novas variedades. Alguns afirmam ter sido esse arbusto obrigatório nas residências e/ ou jardins internos dos palácios incas, estando, inclusive, vinculada a sua culinária tradicional.

Além do consumo in natura, a fruta é usada para fazer doces e geléias, ou também na preparação de molhos para saladas e carnes.

Na medicina tradicional dos povos andinos e amazônicos, tanto o Physalis peruviana quanto o P. angulata são usados no tratamentos de inflamação na bexiga, males do fígado. Para tanto, emprega-se a infusão das folhas. Outras propriedades fitoterápicas e compostos presentes nas plantas desse gênero têm sido descoberto e alavancado a fama do fisales mundo afora.

Em 1989, o National Academies Press (Imprensa da Academia Nacional de Ciências, dos EUA) publicou um relatório de uma comissão consultiva externa em inovação tecnológica, que indicava espécies andinas que poderiam reforçar e reinventar o mercado consumidor e o cultivo de plantas comestíveis mundial. O texto ficou conhecido como Lost crops of the Incas (As colheitas perdidas dos Incas, em uma tradução literal) e o fisales era uma das frutas mais recomendadas pelo relatório.

Propriedades terapêuticas e valor nutricional do fisales

Physalis peruviana, fisales

Frutos quase maduros. Foto de Dagmar Laus

O fruto do fisales é doce-azedo, levemente cítrico e adstringente, servindo perfeitamente para a preparação de sucos, geléias, molhos de saladas e carnes vermelha ou de peixe. Estudos apontam também que a fruta é adequada e utilizada, principalmente na Europa, para a conservação de derivados da carne como presuntos. 

Do ponto de vista nutricional, a Physalis peruviana consumida fresca é uma excelente fonte de vitamina A, B3, C, ferro, fósforo e cálcio e possui ainda boas quantidades de vitamina B2. O valor calórico para cada 100g consumida é de 53kcal. 

Alguns estudos têm demonstrados propriedades anti-diabéticas, reduzindo o nível de glicose no sangue significativamente após os primeiros 90 até 120 minutos após a ingestão. A quantidade recomendada para se obter bons resultados sem efeitos adversos é de 5 frutas, preferencialmente frescas, ao dia.

Outras aplicações medicinais que vêem sendo estudadas e, pouco a pouco, comprovadas, são: diurético, anti-séptico, sedativo, analgésico, fortificação do nervo óptico e eliminação de parasitas intestinais.

Habitat natural, cuidados básicos e adubação

Natural das cordilheiras andinas, desde o Perú, estendendo-se pelo sul até o chile e, ao norte, até a Colômbia, o fisales cresce em solo areno-argiloso e rico em matéria orgânica. Em regiões de clima temperado, é cultivada como planta anual. É perene, contudo, nos trópicos e assim também no nosso clima subtropical do sul brasileiro. Gosta de sol abundante e terra mantida úmida, com regas constantes quando muda e mais espaçadas quando começa a produzir.

Para quem já dominou o cultivo do tomate, o fisales é ainda mais fácil de fazê-lo e é também mais resistente a pragas.

Physalis peruviana L. no paisagismo 

Recomendado para forração de terrenos em declive. Ideal para pequenos quintais, fornecendo em abundância frutos quase o ano inteiro.


Arte Botânica

Physalis no Diário de Estudos Botânicos 

 

Physalis na ilustração de Lu Mori em seu Diário de Estudos Botânicos

Physalis na ilustração de Lu Mori em seu Diário de Estudos Botânicos

 

physalis

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.

  • Simplesmente maravilhoso esse post sobre physalis. Comecei a cultivar agora e adorei as informações. As belas imagens merecem um parabéns especial : )

    Abraços Floridos