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Platycerium bifurcatum, Chifre-de-Veado

 

platycerium bifurcatum

Platycerium bifurcatum, chifre-de-veado. Ótima opção para jardins a meia-sombra, ou para elaborar paredes vivas de interior. Foto de Manuel Martin Vicente

Dados Botânicos

Nome CientíficoPlatycerium bifurcatum (Cav.) C. Chr.

Nome popular: Chifre-de-veado

Família: Polypodiaceae;

Ocorrência: Austrália;

Ciclo de vida: Perene;

Luminosidade: Meia-sombra;

Irrigação: 1 ou 2 vezes por semana;

Clima: Tropical e subtropical

Dificuldade: Média.

O chifre-de-veado é uma samambaia epífita, originária de Nova Guiné e da parte oriental da Austrália, estendendo-se desde a porção nordeste (Queensland) até o sudeste daquele país. É uma espécie naturalizada em muitos países, sendo considerada invasiva na Flórida e no Hawaii, segundo o Australian National Herbarium. 

É formada por dois tipos de diferentes de formação foliar. A primeira, em formato de rim, é a base da planta, de onde emanam a raiz e é estéril. A segunda, com folhas que emanam a partir daquela, pode atingir até 90 cm de comprimento, conforme a idade e possui recortes irregulares que justificam o epíteto científico, bifurcatum, assim como sua alcunha popular. 

As folhas com formação bifurcada são as que produzem os esporos e, portanto, são responsáveis pela reprodução da planta. Esses esporos têm coloração marrom, semelhante a ferrugem, semelhante às que ocorrem em nossas samambaias. É comum confundi-las com fungos ou pragas. O Platycerium bifurcatum é uma espécie bem adaptada e bastante resistente. Ainda assim, ano passado quase perdi uma de minhas plantas por pura distração. Como não parasse muito em casa, após alguns meses percebi-a tomada de pequenos pontos brancos, que eram cochonilhas já infestando a planta. Felizmente, consegui salvar a planta utilizando um pesticida orgânico.

Cuidados básicos e adubação

Os cuidados com essa planta são tão simples como os com uma samambaia, regas a intervalos regulares, substrato sempre úmido e meia-sombra. Pode ser criada em vasos, fibras de coco, ou presa ao tronco de árvores. É ideal para um jardim vertical.

O Chifre-de-veado pode ser reproduzido de duas maneiras: de forma vegetativa, ou por esporos. 

Na forma vegetativa, divide-se a planta, normalmente uma planta mais velha, através das mudas que solta durante o inverno. Em estágio mais avançados, essas mudas podem ser identificadas pela formação de novos “rins” basilares com novas folhas em formato de chifre, ligados a planta mãe por uma espécie de rizoma.

Por via de esporos, segundo o Australian National Herbarium, deve-se fazer o seguinte (a tradução é livre, o original acompanha):

Para coletar os esporos, coloque a folha com esporos em uma sacola de papel. Deixe a folha ali, até que haja poeira marrom na sacola, que são os esporos.

 

Preencha um pote de plástico ou argila com musgo e derrame água fervente sobre o musgo para esterilizá-lo. Imediatamente, cubra o pote com um recipiente de vidro, ou plástico, para mantê-lo estéril até que esfrie.

 

Quando resfriado, espalhe os esporos sobre a superfície do musgo e imadiatamente coloque o envólucro de volta, tapando-o.

 

Coloque o vaso com os esporos sobre um recipiente com apenas uma lâmina d\’água no fundo. O vaso com esporos deve cobrir o recipiente.

 

Posicione-os em lugar quente, que receba luz indireta. Quando aparecer uma pequena cobertura verde, significa que os esporos germinaram. Os primeiros “chifres” vão apare dentro semanas ou meses. Quando estiverem maiores, pode-se retirar as novas plantas.

 

To collect the spores, place the part of a frond that is producing spores in a brown paper bag. Leave the frond in the bag until there is brown dust in the bag, which are the spores. Fill a plastic or terracotta pot with peat moss, and pour boiling water through the peat moss to sterilize it. Immediately place a glass or plastic sheet over the pot to keep it sterile. Once the peat moss has cooled down, spread the spores evenly over the surface of the peat moss, then immediately replace the glass or plastic sheet over the pot. Stand the bottom of the pot in an ice cream container with a shallow layer of water, and place the pot and container in a warm position receiving indirect sunlight. Once the spores have germinated, a green scum will initially appear over the surface of the peat moss. After a period of weeks to months, the fronds of the Elkhorn fern will begin to appear and the glass cover of the pot can be removed. Once the new plants have grown larger, they can be transferred to a tree trunk.

Platycerium bifurcatum (Cav.) C. Cr. no paisagismo 

A utilização mais recorrente do Platycerium bifurcatum  no paisagismo é preso a troncos de árvores ou pendurado em vasos. Recentemente, com a nova onda das paredes verdes, vem sendo utilizado para esse tipo de composição, também. 

Sua exuberância e característica escultural são o motivo principal de seu sucesso no mundo inteiro. No entanto, é, por isso mesmo, daquele tipo de planta que pode tanto elevar o conceito de um projeto, quanto derrubá-lo totalmente, se for mal utilizada. Superpopular um projeto paisagístico com o chifre-de-veado dos erros mais comuns. Trata-se de uma planta que deve ser valorizada como atrativo principal, e não como decoração trivial.


Arte Botânica

Imagens retiradas do http://www.plantillustrations.org

 


Referências e links interessantes

http://www.flickr.com/photos/faroutflora/

http://www.anbg.gov.au/gnp/interns-2004/platycerium-bifurcatum.html 

Plantas Ornamentais no Brasil livro de Hari Lorenzi e Hermes Moreira de Souza.

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.