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Tagetes erecta, cravo-de-defunto

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Dados Botânicos

Nome Científico: Tagetes erecta L.;

Sin: Tagetes patula L.; Tagetes tenuifolia Cav.; Tagetes remotiflora Kuntze; Tagetes elongata Wild.;

Nome popular: tagetes, cravo-de-defunto, cravo-amarelo, cravo-africano, tagetes-anão;

Família: Asteraceae;

Ocorrência: México

Ciclo de vida: Anual;

Luminosidade: Sol pleno;

Irrigação: regular, 2 a 3 vezes por semana, o solo deve ser mantido úmido, sem encharcar;

Clima: Tropical e subtropical;

Floração: Primavera e verão, principalmente.

Dificuldade: Baixa.

Cravo-de-defunto, cravo-africano ou ainda tagetes-anão é uma herbácea anual, ereta, que atinge até 0,8m de altura em sua forma silvestre. Pode ser utilizada como repelente natural próximo a hortas e auxilia no combate a nematoides – vermes que atacam as raízes, causando a morte da planta. Possui propriedades medicinais e é muito utilizada na culinária de diversos países, notadamente do leste europeu, como se verá mais adiante. No México, seu habitat natural, está ligada à festa dos mortos.

As folhas são compostas, imparipenadas, de formato linear-lanceoladas, algumas vezes elípticas. São aromáticas por natureza, embora algumas variedades cultivadas tenham perdido essa característica. As ramificações são espalhadas e geralmente prostradas – o termo patula presente na sinonímia, T. patula deriva dessas duas características.

As flores são amarelas ou laranjas, às vezes com tonalidades amarronzadas, às vezes com detalhes mais avermelhados, dependendo da variedade. Surgem a partir de pendúnculos solitários ou agrupados de até 15cm. Como acontece com os outros membros da família Asteraceae, o que vemos como uma única flor, são, na realidade, muitas e podem ser classificadas de duas formas:

Flores “externas”, cujas pétalas têm formato de lingueta, e “internas”, cuja aparência, para nós, é a de pequenos pontos marrons no centro da inflorescência. As primeiras, ocupam a região exterior da cabeça da flor, e são geralmente inférteis, cumprindo função atrativa. A elas, principalmente, devemos a beleza dos tagetes. As flores “internas”, por outro lado, têm as pétalas pouco desenvolvidas. Sua função é reprodutiva e, por isso, são muito mais numerosas: cerca de 250

No ramo da floricultura, é comum encontrar o cravo-de-defunto sob dois nomes “científicos” distintos: T. erecta L. e T. patula L. Para os botânicos, no entanto, só existe uma espécie, o Tagetes erecta, sendo o outro uma variedade comercial, normalmente menos ramificada e com a cabeça floral mais protuberante.

Tagetes erecta, cravo-de-defunto, tagetes-anão

Flores amarelas, laranjas e marrons, ou com detalhes avermelhados e bordas amarelas. O cravo-africano é facilmente encontrado em qualquer floricultura o ano todo. Fotos de Dagmar Laus

Etimologia

Tagetes é derivado, provavelmente, da latinização do nome de uma divindade ou legislador etrusco conhecido como Tages ou tagete [³]. Segundo a lenda, Tages teria se revelado a um camponês que arava sua terra e, por engano, fizera um buraco mais profundo que os outros. O deus surgira na forma de uma criança e o lavrador, assustado, proferira um urro tão forte que a aldeia inteira fora em seu socorro. Cercado pela pequena multidão etrusca, Tagetes começou a discursar e ensinou aos etruscos o dom da profecia.

O nome cravo-de-defunto foi difundido de duas maneiras. Primeiro, pelo costume mexicano, que chegou aos dias atuais através dos astecas e seus descendentes, mas cuja origem remonta ainda a um povo anterior, que habitava o estado de Malinalco, no México. Chamavam-na tonalxochitle tinham o costume de colocá-la sobre a tumba de seus mortos, acreditando que as pétalas amarelas eram capazes de guardar o calor do sol. 

Ao passar pela região, os aztecas teriam adotado o costume. A flor, contudo, parecera-lhes ainda muito singela e, por isso, seus jardineiros e paisagistas dedicaram-se a melhorá-la e, com o tempo, lograram aumentar o número de pétalas, obtendo vinte ao invés de algumas poucas. Por isso, passaram a chamá-la cempasuchil ou cempaxochitl, literalmente: vinte flores. 

Até hoje, o tagetes-anão é a flor símbolo da festa dos mortos mexicana. O nome cravo-de-defunto, no entanto, se deve também ao costume hondurenho já abandonado, de utilizar os ramos (normalmente muito aromatizados) na limpeza e preparação dos mortos para o velório. 

Pesticida natural

O tagetes ganhou fama também como pesticida. Suas raízes liberam uma secreção que elimina as nematoides do solo e são, por isso, muito utilizadas em plantios associados com hortaliças e frutíferas. O aroma exalado por flores e folhas é capaz de afastar alguns insetos “daninhos”.

Medicina e culinária

Tagetes erecta, cravo-de-defunto, tagetes-anão

A flor é um repelente natural e a raíz possui propriedades inseticidas que a recomendam em plantio associado a certas espécies como proteção contra nematóides. Fotos de Dagmar Laus.

Os estudos etnobotânicos anotam os seguintes usos medicinais do tagetes: como vermífugo, digestivo, diurético, sedativo e contra males estomacais. Internamente, é utilizado contra a indigestão, cólica, constipação, desinteria, tosse e febre. Em algumas regiões, as mulheres utilizam o chá da planta para acelerar a menstruação, proteger contra o aborto espontâneo e dores no peito.

Na África oriental, a raiz do cravo-de-defunto é consumida associada com a noz de Telfairia pedata, uma trepadeira nativa, para aliviar as dores nos órgãos sexuais.

Há também registos de uso culinário e como tingimento de tecidos. As flores secas são a matéria prima para a obtenção de um pó semelhante ao nosso “coloral”, obtido, nesse caso, da trituração das sementes de urucum. Essa “farinha” é utilizada para dar cor amarelada à comida, especialmente carne e para realçar o amarelo do ovo. Com o mesmo fim, é acrescentada na alimentação de carangueijos e salmão criados em cativeiro.

O extrato das flores, por outro lado, é utilizado pela indústria alimentícia na Europa ocidental como corante de sucos, molhos de saladas, sorvetes etc.

As flores frescas também são utilizadas no tingimento de tecidos de lã, seda e até celulose para obter tons de amarelo-ouro, laranja e verde-oliva, até o bronze.

Além de todas essas qualidades, o tagetes é uma excelente escolha para compor bordaduras, forrações e jardineiras. Trata-se de uma flor ao mesmo tempo singela e exuberante, cuja manutenção é tão fácil quanto sua propagação por sementes. Abaixo algumas fotos tiradas por Dagmar Laus.

Habitat natural, cuidados básicos e adubação

Cresce naturalmente na floresta de pinos e carvalhos, uma região quente e de pouca umidade. Vai bem em solos areno ou limo-argilosos, com boa drenagem regados a intervalos. Necessita de ao menos 4 horas de sol diário.

Tagetes erecta no paisagismo 

Utilizada como forração ou para compor bordaduras. É também ótima flor-de-corte.


Arte Botânica

Imagens retiradas do http://www.plantillustrations.org

 


Referências e links interessantes

Tropicos.org, veja também a secção Accepted names em Tagetes patula L. , indicando que este último é uma sinonímia do nome que utilizo aqui.

Plantas Ornamentais no Brasil livro de Hari Lorenzi e Hermes Moreira de Souza. Clique no link para ir a livraria cultura.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.