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Arte Botânica: Esculturas vivas de Sue e Pete Hill

Produzidas sob encomenda para o Lost gardens of Heligan, essas esculturas vivas são da autoria de Sue e Pete Hill. Os dois escultores são irmãos, Pete também é pintor, e Sue Hill cenógrafa e artista visual de renome. Os dois trabalham juntos desde 1996 e essas esculturas foram feitas no final da década de 90, para o Jardim Botânico de Heligan, na Inglaterra.

As esculturas são feitas a partir de barro e depois são coladas a elas musgos e tufos de grama. No vídeo abaixo, após a galeria, vocês podem ver o vídeo da reforma feita no ano passado, mesmo ano em que a Mud Maid (ou mulher de barro), ganhou uma irmã, Dreaming Girl (garota sonhadora), uma escultura bastante semelhante, produzida especialmente para o anual Chelsea Flower Show.

O lugar onde se encontram essas esculturas vivas, o Lost gardens of Heligan (Jardins perdidos de Heligan) é um do mais bem afamados jardins botânicos do Reino Unido. Pertenceu a mesma família desde o século XVII até o fim do século passado, quando um grupo de jardineiros, liderados por um Tim Smit, empresário responsável também pelo Projeto Eden, para o qual Sue Hill também trabalhou. O nome Heligan provém do gaelico (Cornish) e quer dizer Salgueiro. Originalmente, o nome era Lowarth Heligan (Jardim dos Salgueiros) e tem início por obra do reverendo Henry Hawkins Tremayne, no século XVIII.

Com estilo marcadamente vitoriano, Heligan possui uma coleção inestimável de Rododendron, gênero que inclui as azaléias, e Camélias históricas, doadas a família ainda antes da primeira guerra. Além disso, o último membro da família Tremayne a cuidar da propriedade e do jardim, Jack Tremayne, era um admirador do jardim italiano, e estabeleceu aí uma seção nesse estilo.

Pete e Sue Hill projetaram essas esculturas para um pequeno bosque no complexo. As agruras do tempo, de certa forma, são um desafio a manutenção das esculturas, mas também as valorizam, na medida em que a proposta é justamente criar uma escultura cuja vivacidade não se limite ao esqueleto, mas emane de sua superfície, representada aí por diversos vegetais.

Mud Maid tem como estrutura areia, barro e cemento. Suas mãos e rosto foram cobertos com iogurte (yep!) especial para estimular o crescimento de musgos e líquens. O cabelo, “feito” de croscomia (pode ser, por exemplo, Crocosmia masoniorum ‘Rowallane Yellow’ AGM, não foi especificado). O vestido composto por heras. Não consegui nenhuma foto, mas gostaria muito de ver essas croscomias floridas, formando um cabelo com mechas coloridas nessa escultura.

Giant Head, por sua vez, é feito a partir das raízes de uma árvore caída. O cabelo, igualmente, composto por croscomias. E o mais interessante aqui, é que as orelhas viraram um abrigo para abelhas que formaram uma colmeia ali. Nada mais adequado para a cabeça de um gigante. Aliás, um gigante um tanto meigo, se vocês verem a foto com a croscomia do cabelo em flor.

Abaixo as fotos e, depois, o vídeo. Em inglês e sem legendas, vale a pena o esforço.

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.