Home / Arquitetura Paisagística / Bienal de Arquitetura Paisagística: ETAR de Alcântara

Bienal de Arquitetura Paisagística: ETAR de Alcântara

A cobertura vegetal do ETAR de Alcântara.

A cobertura vegetal do ETAR de Alcântara, ao fundo, a ponte que liga Alcântara a Lisboa

Nos dias 27, 28 e 29 de setembro, ocorre em Barcelona a sétima bienal de Arquitetura Paisagística da Europa e, com ela, a premiação Rosa Barba de Arquitetura Paisagística, uma das mais importantes premiações no cenário europeu e internacional. Foram sete finalistas selecionados. Nas próxima semanas, até a abertura da Bienal, vou falar desses projetos aqui no Jardim de Calatéia, conformando uma série em torno do evento.

Quarto projeto concorrendo ao Prêmio Rosa Barba da Bienal de Arquitetura Paisagística, a cobertura vegetal da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara, em Portugal, das mãos do arquiteto João Ferreira Nunes interessa não apenas por fazer uso da técnica do telhado verde, senão também pela forma e o objetivo em que a técnica foi empregada. A ETAR de Alcântara data de 1989 e, recentemente, foi reformulada pelos arquitetos Manuel Aires e Frederico Valsassina. A obra foi propagandeada como uma das mais modernas estações de tratamentos da Europa mas, apesar disso, até bem pouco tempo, os concidadãos de Alcântara reclamavam do mau-cheiro que a ETAR propagava no ar da cidade. Não era por menos, afinal, a estação fica bem próximo a entrada da cidade, constituindo um desagradável infortúnio a quem ali reside. Além disso, a estação é a maior de Portugal, atendendo as cidades vizinhas de Lisboa, Amadora e Oeiras, num total de 756 mil habitantes.

O telhado verde projetado por João Ferreira Nunes, portanto, tinha a missão de adicionar a construção um elemento esteticamente aprazível e reduzir o efeito do incômodo causado pelo lugar. Para tanto, o arquiteto da PROAP – Estudos e Projetos de Arquitetura Paisagística – empreendeu a instalação de uma cobertura vegetal que tivesse a dupla função de proteger o edifício da incidência solar, reduzindo assim o calor na estação de tratamento e reduzindo a emissão de gases, e garantir a drenagem e escoamento de água da chuva. Não há na internet informações disponíveis sobre a vegetação utilizada, mas as imagens dão conta de trata-se do normalmente aconselhável para esse tipo de situação: vegetação rasteira, capins e forrações. São plantas que não apresentam raíz profundas, têm alto potencial de absorção de água e resistem bem a insolação. A quem se interessar, aconselho a leitura desse artigo, publicado no site Delas.

Do ponto de vista estético, a ideia era reintegrar o edifício ao entorno do Parque de Monsanto, uma área de cerca de 900 hectares de floresta, próximo a capital lusitana. Assim, João Ferreira Nunes deu ao prédio o aspecto de colina integrado ao vale de Alcântara. Os canteiros são dispostos de forma quadriculada de forma a imitar os aspecto de um ambiente rural.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.