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Bienal de Arquitetura Paisagística: Parc Martin-Luther King

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Horta coletiva do parque

Nos dias 27, 28 e 29 de setembro, ocorre em Barcelona a sétima Bienal de Arquitetura Paisagística da Europa e, com ela, a premiação Rosa Barba de Arquitetura Paisagística, uma das mais importantes premiações no cenário europeu e internacional. Foram sete finalistas selecionados. Nas próxima semanas, até a abertura da Bienal, vou falar desses projetos aqui no Jardim de Calatéia, conformando uma série em torno do evento.

Localizado na comuna de Batignolles, 17o. arrondissement de Paris, o Parc Martin-Luther King é um projeto integrado a construção de uma nova área residencial, em terreno antes ocupado pela SNCF (Companhia Nacional de Ferrovias). O lugar estava destinado a construção de uma vila olímpica, caso Paris vencesse a disputa pela sede das olimpíadas de 2012, o que não ocorreu. Historicamente, trata-se de uma região conhecida por uma forte agitação boemia, no século XIX, em que atuou o chamado “groupes des Batigonolles”, do qual fazia parte o pintor impressionista Edouárd Manet.

O projeto paisagístico do parque é assinado Jacqueline Osty e foi indicado ao prêmio Rosa Barba na Bienal de Arquitetura Paisagística na Bienal européia de Barcelona para esse ano. Atualmente com 4,3 ha., o parque deve alcançar uma área até 10ha., o que, do ponto de vista urbanístico é interessante porque ocupa uma área maior do que aquela destinada a habitação. Do ponto de vista imobiliário, é claro, isso proporciona a valorização do empreendimento, mas a verdade é que, embora o local estivesse abandonado, todo o entorno é densamente habitado. De toda forma, resta ver as características e atrativos do projeto.

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Jacqueline Osty desenhou o parque em torno de três temáticas cujo vértice é a diversidade: o corpo, a água e as estações. Do ponto de vista paisagístico, a elaboração desses conceitos deu a arquiteta a possibilidade de fugir da tradição francesa, conhecida pela clareza das formas, pela topiaria e pelos grandes espaços livres e enfocar seu trabalho em torno não apenas da biodiversidade, mas também da diversidade de usos e usuários. Assim, o parque permite ao visitante experimentar os diversos ambiente de forma livre, podendo realizar atividades esportivas, descansar, encontrar pessoas ou apreciar a mudança de vegetação conforme as estações do ano. Além disso, o parque mantém uma horta comunitária, em que as pessoas são convidadas a plantar e gravarem os seus nomes, deixando ali o registro de que contribuíram para a manutenção da mesma.

Outro ponto interessante e bem acabado desse projeto é a temática da água. Com um jardim aquático que comporta uma variedade de espécies vegetais e animais (algumas dessas que ali aportaram após a construção da primeira etapa), o Parc Martin-Luther King utiliza água tratada do Sena, assim como possui um reservatório de águas pluviais, para utilização no parque. O Jardim Aquático, por sinal, possui diversas espécies muito utilizadas como forma alternativa de tratamento de efluentes, como a Typha angustifolia L.

Bienal de arquitetura paisagística da Europa

Vista aérea do parque desenhado por Jacqueline Osty

 

Trata-se, a meu ver, de um dos mais fortes concorrentes ao prêmio, junto com o Written Garden, o Etar de Alcântara e o Cap de Creus.

As fotos desse artigo foram retiradas de stephanekirklan.com e urbanity.es

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.