Home / Arquitetura Paisagística / Casa de uma só árvore

Casa de uma só árvore

casa de uma árvore só, casa na árvore

Construída pelo VisionDivision, esse projeto reutiliza todas as partes de uma árvore para construir uma casa-playground. Fotos do blog do VisionDivision

Construída sob encomenda para o 100 acres: The Virginia B. Fairbanks Art & National Park, no estado de Indianapolis, EUA, essa casa-quiosque e parque de diversões, apelidada de Chop Stick (graveto), não é apenas uma casa na árvore, mas uma casa de uma só árvore. Idealizada pelo escritório VisionDivision, o projeto parte do princípio de que é preciso utilizar da maneira mais inteligente possível cada recurso oferecido pela natureza, minimizando o desperdício. Assim, para levar a cabo a construção, os arquitetos escolheram a árvore símbolo do estado americano, o Alamo amarelo (yellow poplar ou ainda tulip tree), uma espécie conhecida pela beleza de sua flor, pelo seu grande porte e por ser uma madeira de elevada dureza.

Apesar de se apresentar como um projeto ecológico, consciente do ponto de vista ambiental, pode causar alguma estranheza o fato de que os idealizadores, ao construí-la, tenham escolhido para demonstrar sua tese justo um espécime grande, com altura e massa suficiente para construir uma “casa”. Um exemplar que, normalmente, demora muito tempo para chegar nesse porte. Mas a Tulip Tree, como é conhecida, não é exatamente uma madeira com crescimento lento ou que esteja ameaçada de extinção. Normalmente, uma árvore dessas atinge até quinze metros em 11 anos.  O exemplar escolhido tinha cerca de 30 metros, ou 22 anos. Pouco se comparado a outras espécies, cujo crescimento muito mais lento e igual atrativo para o uso humano quase as levaram a desaparecer.

De toda forma, o interessante é ver como solucionaram o problema de desperdiçar o mínimo possível, valorizando assim um material que a natureza demora mais de uma década para fornecer. A casa de uma árvore só, como é chamada, é na verdade um pequeno quiosque para atender os visitantes do parque, anexado a um pequeno playground, com mesas e balanços. Nem todo o material utilizado é da árvore, mas quase todos os componentes da árvore, desde o tronco até a casca, passando pela flores, cujo néctar é comestível, foram reaproveitados. O tronco, por exemplo, serviu de estrutura horizontal, dando suporte aos balanços, além de fornecer tábuas para as paredes da casa. A cortiça, na cobertura do quiosque. Galhos e pedaços da casca, para as colunas. Folhas e flores como enfeites e o néctar para produzir sucos no dia da inauguração.

Uma árvore tão portentosa, no entanto, não poderia entregar-se por completo sem desafiar a capacidade dos arquitetos. Assim, eles narram que cada detalhe precisou de horas de estudo de desenhos e em programas de engenharia, avaliando a estrutura, o peso e a força de cada material, de forma a otimizar seu uso na construção. Alguns detalhes finais do desenho foram decididos mais pela engenharia do que pela concepção arquitetônica em si. Ou seja, segundo eles, foi necessário aprender com a árvore a forma mais correta de utilizá-la: “essas alterações realmente só fizeram o projeto mais bonito porque o desenho ficou mais refinado em termos do balanceamento das proporções”.

Talvez seja a natureza ensinando algo a mais:

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.