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High lines – parque urbano suspenso nor ar

 

Minha intenção, hoje, é discutir essa proposta de parque urbano, chamada High Lines, levada a cabo em Nova Iorque e que introduz um conceito muito interessante em termos de paisagem urbana, e também do ponto de vista ambiental. Como proposta de parque urbano, o projeto se destaca por inverter uma premissa básica do paisagismo: a de que as plantas servem de moldura para a construção urbana. Ao fazê-lo, levanta um interessante ponto relativo a biodiversidade local, destacando-a conforme sua aparente espontaneidade, sem intervir ou simulando uma não intervenção.
Com cerca de 2.25 kms, o Parque foi projetado em uma antiga zona industrial de Nova Iorque por dois escritórios de arquitetura. A idéia era destacar a força da natureza frente as construções abandonadas, destacando a biodiversidade e possibilitando sua manutenção com o mínimo de interferência. Para isso, valeram-se do pre-moldado com aberturas que estimulassem o surgimento de pequenos “matos” e simulassem o ambiente “original” em que a paisagem havia se desdobrado durante os anos após abandono da região.
Do ponto de vista paisagístico, agrada-me principalmente pela notoriedade emprestada aquilo que os americanos chamam de “weed” e nós, curiosamente, pelo nome de “mato”, queremos ver por coisa indesejável. É claro que muitas das ervas daninhas que temos não são autóctones, e sobre isso já está em pauta um artigo futuro. Mesmo assim, essas espécies desempenham um papel importante, muitas vezes, até mesmo na restauração ambiental. De toda forma, outro ponto de vista a ser levado em consideração é a maneira como, ao levar em consideração uma paisagem anterior, interrompe um procedimento padrão no paisagismo, mesmo no paisagismo urbano, de ignorar a biodiversidade local e voltar-se para o mercado.
Todas essas características podem, também, colaborar para uma discussão em torno dos espaços vazios na paisagem urbana, a maneira como a especulação imobiliária lida com eles, as necessidades reais da comunidade e as possibilidades de uso que se abrem, inclusive para a agricultura urbana. Lembra, aliás, projeto volta e meia evocado pela população paulistana, que transformaria o Minhocão em parque urbano. Esses dois outros sites trazem informações interessantes: The Urban Earth(que apesar do nome é brasileiro) e EcoHabitar, com um artigo sobre o High Lines que justamente o compara a um minhocão verde.

Que lhe parece a proposta do High Lines? Comente! E não deixe de seguir o blog via twitter: @jardimcalateia

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.