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Hortas Urbanas – um projeto de edifício fazenda

O projeto pretende trazer uma solução inovadora ao desenhar loteamentos verticais que utilizam espaços subutilizados ou abandonados, diz Lucie Sadakova, autora do projeto

Corria o ano de 2006, eu, Leandro Moraes, Renata e, eventualmento, Gustavo, conhecido pela alcunha CemPila (sempre me perguntei se deveria se escrever com “s”), discutíamos amiúde a Cidade, especificamente a nossa, Florianópolis, e as intervenções que andávamos fazendo – num quase-sonho de achar que com isso poderíamos melhorar ao menos a (nossa) experiência nela. Renata, recentemente, elevou as discussões outro nível, defendendo uma dissertação sobre o assunto, enquanto Leandro terminou a faculdade com um excelente trabalho sobre nossa vizinha São José, numa espécie de alegoria acadêmica sobre nosso próprio quintal. O tema, enfim, de nossas discussões, naquele momento, era a criação de projetos “absurdos” para a ilha, cuja finalidade, claro, fosse promover uma convivência mais lúdica a uma cidade que, circulada por tanto verde, cada dia mais se vai acinzentando.

Foi o Leandro, ou talvez o Gustavo, ou talvez ainda Renata quem sugeriu o mais ousado e, porque não dizer, viável projeto de todos os que discutíamos sentados a uma mesa da Travessa Ratcliff. Consistia na proposta de expropriação do cinturão de prédios da avenida Beira-Mar Norte, e na criação de um imenso complexo verde no local. Basicamente, a idéia antevia a criação de fazendas verticais e se chamaria, salvo engano: Jardins Suspensos da Cidade do Desterro. Rimos um bocado com os detalhes do projeto, e pretendíamos mesmo que um dia virasse coisa séria. Uma cidade, afinal, que destinara a vista deslumbrante de sua baía a uns poucos privilegiados, merecia esse retorno.

Maquete do projeto.

Foi, assim, com surpresa e satisfação que me deparei com esse post do Sustainable Cities Collectives, um bem bolado e ativo site britânico. A idéia, de uma decoradora de interiores, consiste basicamente em… criar fazendas verticais. A partir de edifícios abandonados, e não de expropriações (que dependeriam muito da boa vontade do INCRA, no nosso caso), é verdade, mas ainda assim, um projeto que vai de encontro a especulação imobiliária e a ditadura do novo que o mercado impõe.

Gostaria muito de ver projetos assim implementados em nosso centro, opulento em edifícios e salas abandonados, ociosos, a espera da especulação imobiliária. E sinto saudades daqueles dias de conversa jogada solta entre um copo de cerveja e goles de conhaque pra cortar o frio do inverno.

Interior do prédio na maquete 3D

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.