Home / Arquitetura Paisagística / O parque temporário de Fredericia C – revitalização de uma área industrial abandonada

O parque temporário de Fredericia C – revitalização de uma área industrial abandonada

parques temporários

Parque temporário de Fredericia C, na Dinamarca. O espaço é reinventado conforme o uso dado a ele.

Os chamados parques temporários têm se apresentado como uma solução criativa, economicamente viável e culturalmente interessante para o problema da mobilidade urbana nas grandes capitais. Do ponto de vista do planejamento urbano, eles representam o aumento de áreas verdes, sem necessidade de abrir novos espaços, realojamento de pessoas etc. e propõem uma inversão na lógica que faz do automóvel um meio de deslocamento mais eficaz.

Mais do que uma solução de curto prazo, o adjetivo temporário significa, aqui, de prazo indeterminado e não, como se poderia pensar, de duração determinada, de solução a curto prazo. A proposta mais adotada de intervenção urbana do tipo são os chamados parklets, cuja adoção, há pouco mais de um ano, pela cidade de São Paulo, causou polêmica em certos setores do eleitorado paulistano

Os parklets paulistanos visam reduzir o número de vagas de estacionamento em determinados pontos da cidade, incentivando assim o uso do transporte público e meios alternativos de locomoção. Ao mesmo tempo em que apresentam uma solução temporária para o problema crescente da mobilidade dos grandes centros, os parklets propõe novas formas de relacionamento e interação com a cidade. Porquanto sua adoção não seja um entrave real para o desenvolvimento do comércio, a iniciativa, após uma primeira reação negativa, é normalmente muito bem aceita pelos empresários e acaba se tornando, ela mesma, um modelo de negócios.

parques temporários

Porquanto seja temporário, o parque guarda certos elementos da paisagem industrial abandonada. Fotos a partir do site Landezine e da página do Escritório de Arquitetura SLA.

Parques temporários a partir da lógica do usuário

Uma outra forma de parque temporário, menos adotada do que a primeira, mas talvez mais promissora para o usuário, permite aos mesmos interagirem e determinarem usos do espaço. Essa vertente pode estar associada a uma política pública, ou ainda ser da iniciativa da comunidade com paisagistas e artistas ou ainda ser proposta por estes. Neste último caso, falamos há algum tempo aqui sobre os trabalhos de Louise Ganz e os lotes vagos. Interações com a comunidade têm sido o escopo de trabalho dos paisagistas do atelier le balto, um grupo franco-alemão de artistas, jardineiros e paisagistas que viaja o mundo propondo e aceitando propostas de construção de paisagens temporárias.

Fredericia C, um caso dinamarquês

O projeto que trazemos hoje iniciou em 2010, por iniciativa das cidades de Fredericia C e Realdania, na Dinamarca, em parceria com o escritório de Arquitetura SLA, de Copenhagen. O terreno foi ocupado durante o século vinte por uma intensa atividade industrial que havia se deslocado, deixando a área abandonada e sem uso. 

As prefeituras de ambas as cidades não tinham ainda um projeto elaborado para o local e, por isso, contrataram a SLA para desenhar um parque temporário em que as propostas de uso e determinação do espaço pudessem ser modificadas pelos usuários durante o tempo em ele ficasse instalado. O projeto durou cerca de três anos, encerrando-se no começo desse ano.

Infelizmente, não foram encontrados dados sobre a fase subsequente, de implementação do parque definitivo. Atualizarei o artigo assim que estiverem disponíveis.

Abaixo, algumas imagens da proposta.

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.