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Roberto Coelho Cardoso e a Praça Roosevelt /SP

Perpspectiva Praça rooseveltQue a polêmica em torno da reforma da Praça Roosevelt está longe de acabar, mesmo com a sempre prometida inauguração, anunciada para o segundo semestre desse ano, todos sabemos. Que a inauguração seja uma faca de dois gumes nas mãos de um partido que concorre, em aliança, a “reeleição” para a prefeitura da cidade, desnecessário reafirmar. Mas, na origem de toda esta discussão, encontra-se uma história assaz interessante, com a participação de um personagem que influenciou a história do paisagismo brasileiro, melhor dizendo o inventou (falamos da escola Paulistana, esteja claro!).

Roberto Coelho Cardoso era de origem portuguesa, criado e educado nos EUA, onde estudou Arquitetura Paisagística com expoentes do estilo californiano como Garret Eckbo, um dos mais influentes do século passado. No final da década de 40, mudou-se para São Paulo e foi professor na FAUUSP, lecionando inclusive para Rosa Kliass, arquiteta que a vida inteira lhe declarou admiração . Cardoso foi o responsável pelo aumento do número de disciplinas de Arquitetura da Paisagem na faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo e consequentemente não apenas influenciou, mas também impulsionou a ainda incipiente formação profissional do paisagismo no país. De toda forma, é personagem que a nossa historiografia está por descobrir, e cujos projetos também são pouco conhecidos do público em geral.

Um dos canteiros da antiga Praça Roosevelt

Os canteiros de vegetação eram extremamente limitados, tanto mais que o projeto fora de um paisagista.

O mais afamado (seria melhor dizer, mal-afamado) e polêmico deles, é o da construção da Praça Roosevelt, na avenida Consolação, local desde antes conhecido pela boêmia e que, desde a realização do projeto de Cardoso foi aos poucos se desvalorizando, retomando a fama de local das artes nos anos 90, através do grupo Os Sátiros. Com a conquista do espaço e a valorização como local das artes, a região passou a ser foco do discurso dos políticos e foi declarada por José Serra, então candidato a prefeitura, como sua “menina dos olhos”. A consequente valorização dos imóveis, na expectativa de um novo projeto que já tarda três anos vai alterar bastante o cenário local. É importante, por isso, retomar essa parte de história, com o projeto e a descrição feita por Roberto Cardoso a esse respeito.

Em texto que acompanha a planta baixa e cortes, o arquiteto paisagista crítica os projetos urbanísticos das megalópoles e situa sua obra fora do eixo comum estabelecido naquela cidade entre, por um lado, a Praça da República, exemplo típico de praça de província, e a dos Três Poderes, de caráter cívico e monumental. A Roosevelt, diz, é praça-edifício, e pretende restaurar o sentido do particular e a “vitalidade do detalhe e o seu correspondente humano”. Ironicamente, esse projeto, encabeçado por um paisagista, possuía poucos espaços verdes, circunscritos por caixas de concreto, e circundado igualmente por espaços áridos, construídos com o mesmo material. Para a população, ao longo dos anos, foi considerado um desastre. Mas também é verdade que, como atesta o documento, o projeto original sofreu inúmeras alterações e muitas das obras previstas nunca foram concluídas. De toda forma, é o registro de uma história que está por ser apagada.

Vista aérea da Roosevelt em demolição

Vista aérea da Roosevelt em demolição.

Ps: Vale a curiosidade. Foi aqui, em um dos bares do entorno, a primeira apresentação de Elis Regina, antes da Praça de Roosevelt de Cardoso existir, e a quantia de seu cachê foi nada mais que 5 cruzeiros.

Fonte:

Wikipedia (o artigo possui muitas referências interessantes).

http://pracarooseveltsp.blogspot.com.br/

http://www.projetosurbanos.com.br/2008/10/27/praca-roosevelt-os-projetos/ (Outros projetos propostos)

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.