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Telhados verdes para ônibus

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Que tal se sua cidade tivesse um transporte urbano mais verde? E se não apenas o transporte público fosse priorizados mas, acima de tudo (literalmente), fosse decorado com um tapete vegetal no lugar do teto? Quem ainda não se acostumou bem com os telhados verdes vai cair o queixo com essa ideia, aparentemente extravagante.

Dois projetos distintos, nos EUA e na Espanha, já sugeriram o que, à primeira vista, parece até absurdo: utilizar o meio de transporte como uma alternativa viável para plantar como também ajudar a conter as emissões de gás carbônico (CO2). Dos dois, apenas o espanhol deu os primeiros passos para deixar o protótipo e já circula em pequena escala como linha turística em uma cidade dos arredores de Barcelona. Abaixo, apresentamos algumas características do dois projetos.

Bus roots – um jardim vivo e ambulante

De iniciativa do designer Marco Antonio Castro Cosio, o Bus Roots nasceu como trabalho final do curso de graduação em design do nova-iorquino. Como tal, é um projeto muito mais conceitual do que prático, ainda que, os dois primeiros protótipos tenham ganhado vida, e até circulado, em 2011. Muito parecido com coletivo desenvolvido pelo grupo espanhol, o ônibus vivo de Marco Castro Cosio esbarrou nas dúvidas técnicas que uma ideia dessa alçada acarreta. 

Embora, à primeira vista, o conceito traga vários benefícios ecológicos e estéticos, sua implementação levanta uma série de questionamentos que, se não forem respondidos, podem torná-lo um problema ao invés de uma solução. Dentre os benefícios teóricos que o projeto traria, o designer nova-iorquino elenca os seguintes:

  • Valor estético;
  • Mitigação dos efeitos das ilhas de calor urbano;
  • Isolamento acústico e de temperatura;
  • Redução dos efeitos das águas da chuva;
  • Absorção de CO2;
  • Restauração do habitar;
  • Recreação e educação pública.

Quanto aos questionamentos levantados, deixaremos para abordá-los a seguir, quando tratarmos do projeto espanhol. Abaixo, imagens do protótipo, instalado sobre o teto do BioBus, um laboratório pedagógico e científico móvel. As fotos foram retiradas do sítio oficial de Marco Antonio Castro Cosio.

 

Telhados verdes para ônibus, Phyto Kinetic

O segundo projeto nasceu da cachola de Marc Grañén, biólogo e paisagista catalão, que conta ter recebido o maior impulso e as melhores idéias de seus filhos pequenos. Ao ouvir o pai contar sobre um ônibus que carregava plantas, eles logo começaram a desenhar e dar idéias para o projeto. Marc, talvez por sua formação em biologia, foi capaz de levar o projeto a cabo e vem divulgando não apenas o conceito, mas também viabilizando-o na prática.

Atualmente, o Phyto Kinetic circula como linha turística na Catalunha e vem sendo exibido em mostras e convenções sobre soluções ecológicas para o meio urbano. A aceitação foi tanta que os criadores estão em tratativas para implementar uma linha dentro da cidade de Barcelona com o telhado verde.

Como o leitor poderá comparar pelas imagens, o tipo de plantas utilizadas nos dois projetos são muito parecidas. Grañén, no entanto, adverte que o ônibus deve se adaptar às características climáticas e de vegetação dos locais em que são implementados, garantindo, assim, a biodiversidade e a baixa manutenção, em termos vegetais, do telhado.

Além da problemática ecológica, o Phyto Kinetic parece responder muito bem às exigências técnicas que, parece, Marco Castro Cosio não conseguiu. Uma dessas questões é justamente quanto à necessidade de irrigação. De onde vem a água utilizada? O que acontece com as plantas em caso de acidente? E quanto ao peso, quais as conseqüências para a estabilidade do ônibus? O peso adicional vai reduzir ou aumentar o gasto de combustível?

Segundo a Phyto Kinetic, empresa criada para administrar o invento, as espécies são rigorosamente selecionadas para responderem a certas exigências. Toda irrigação, ou quase toda, é feita reaproveitando o sistema de refrigeração do automóvel. Por outro lado, nos meses frios, em que há redução do uso desse recurso, podem ser feitas regas manuais ocasionalmente. De toda maneira, muitas das espécies utilizadas são pouco exigente nesse quesito.

O “cultivo”, por sua vez, é feito no sistema de hidroponia, o que reduz o peso do substrato e facilita a impermeabilização. Basicamente, são usados muitos dos recursos já disponíveis para os telhados verdes estáveis, mas a fixação das plantas é reforçadas.

Com relação ao peso do automóvel, o impacto é suficiente para reduzir a capacidade de transporte de passageiros em pé, retirando dele 1 pessoa por m². Dessa maneira, há também um pequeno deslocamento, para cima, do centro de gravidade do veículo, o que, consequentemente, implica na necessidade de redução da velocidade. 

Todos esses dados e outros, estão minuciosamente descritos no sítio oficial do projeto.

Abaixo, algumas imagens, retiradas de Urban Gardens Web e do sítio do Phyto Kinetic. E você, o que acharia de ver um desses circulando em uma cidade como São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre?

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.