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The allotment, uma mistura de hotelaria, jardinagem e gastronomia

Vencedor do concurso Rethink Hotelsuma parceria entre a revista Tablets Hotels e o sítio alemão JovotoThe Allotment é um projeto que mistura hotelaria, jardinagem e gastronomia. O certame propunha aos concorrentes repensar o conceito de hotelaria em termos de convivência social. Historicamente atrelado a ideia de repouso e restauração (da saúde), o hotel, como o conhecemos hoje, é uma invenção que surge a partir da primeira revolução industrial. É nesse período que, além de receber viajantes, começa a adquirir também um senso de privacidade e individualidade que, nos últimos anos, alcança sua máxima expressão nas acomodações cada vez mais espartanas e totalmente alheias ao convívio social em redes como Accor e Etap. 

A iniciativa do Rethink Hotels, portanto, propõe a ressignificação do conceito para além do turismo de negócios ou do turismo de lazer, buscando fazer do hotel um ponto de convergência entre a cidade e o visitante. Dentre os projetos vencedores, esse Allotment foi aquele que levou a proposta a suas últimas conseqüências, fazendo da hospedaria não apenas um local de convergência, mas trazendo para dentro dela o que talvez seja o ponto nevrálgico de toda cidade com vida cultural pulsante: o mercado público.

Para unir hotelaria, jardinagem e gastronomia, o arquiteto Dean Moran desenha um prédio de cinco pavimentos no centro de Nova Iorque que, além dos quartos, abrigam quatro elementos que dão vida e identidade ao hotel. Se, na hotelaria ordinária, o conceito central é o repouso, neste projeto o termo-chave é a culinária. A fachada do prédio, como não poderia deixar de ser, traz um belo mosaico composto por um jardim vertical, que alterna as acomodações. Para fazer girar essa roda, Moran lança mão de quatro elementos: o mercado, o restaurante, o turismo gastronômico e, por fim, o jardim. .

O mercado, situado dentro do hotel, é nutrido por agricultores do entorno da cidade. É, ao mesmo tempo, atrativo para visitantes cujo interesse seja gastronômico, assim como é a fonte para os pratos servidos no restaurante. Esse, por sua vez, não possui um cardápio específico e encoraja os visitantes/clientes a trazerem seus próprios ingredientes e a complementar as receitas com sugestões. Não há mesa privativa e o cliente é convidado a participar da preparação do prato.

Apesar do nome, o turismo gastronômico não é restrito aos hóspedes, um convite a esses e aos próprios moradores da cidade a participarem de roteiros gastronômicos pela cidade junto com os chefs do restaurante. O passeio pode consistir na visita a um mercado local, ou a produtores da região.

O quarto e último elemento, claro, para mim é o mais genial, uma vez que leva o visitante a conhecer um telhado verde composto por hortaliças em que se ministram aulas de cultivo e onde se pode acompanhar e conhecer a origem dos ingredientes que utilizamos na refeição.

O arquiteto e designer japonês Shuwa Tei, um dos jurados do concurso, definiu sua sensação ao ver o projeto dessa maneira: “essa idéia me dá vontade de visitar”. Não poderia haver síntese mais completa.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.