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Um Jardim… de Calatéias

Dezembro e Janeiro consumidos em mudanças de cidade e casa, sobrou muito pouco tempo para dedicar a esse Jardim.  Não se trata de descuido, ainda que o número de postagens tenha se reduzido quase a zero nesse mês que passou. Porquanto os artigos tenham rareado, nesse meio tempo, enquanto tentava me organizar dentro da casa de meus, em reforma, e procurava uma nova casa para morar, foi necessário aplicar os mesmos princípios que valem para a jardinagem, seja ela amadorística ou profissional – paciência e dedicação.

Avencas

Essas avencas crescem na escadaria que leva da piscina ao pomar

Se a falta de espaço não permitia o conforto necessário para compor textos com maior frequência, aqui e ali eu pude estudar um pouco sobre programação de site, a repensar a forma como administro esse blog, além de cuidar das plantas e experimentar novas composições para o jardim de meus pais.

Pouco a pouco, vocês vão sentir as mudanças planejadas, como já devem ter percebido pela lay-out novo introduzido em 23 de dezembro, o que possibilitou uma navegação mais agradável e fácil. Além disso, a hierarquia das páginas e posts foi modificada, dividindo melhor as entradas em categorias e apresentando cada uma delas conforme o tema comum a elas. Nesse exato momento, escrevo as primeiras linhas sobre plantas ornamentais, que serão apresentadas conforme as famílias botânicas. Já vão por aí três ou quatro artigos quase no ponto de vir a tona para a semana que vêm, daí em diante, ao menos quatro plantas por semana. Essas, além dos dados botânicos, apresentados de forma mais ampla do que a maioria dos sites que encontramos, terão espaço para curiosidades, arte botânica e otras cositas mas

Mas, como esperar não é exatamente a coisa mais agradável do mundo, vou-lhes mostrando as coisas que me tomaram o tempo, nesse meu Jardim de Calatéia.


 Um Jardim de Calatéia fora do Blog 

Epidendrum fulgens, dinheiro em pencas e chefleras habitam o telhado-verde natural da varanda

Logo que voltei de São Paulo, recebi de meus pais a incumbência de trabalhar na reforma de seu jardim. Não trouxe agora, muitas fotos de como ele está no momento, mas quem sabe algumas dessas deem conta de quão difícil me pareceu a tarefa. Não exatamente pelo esforço já empreendido, ou pelo desenho já concretizado de algum outro arquiteto paisagista, pelo contrário.

Essa casa, que conta com uma frondosa mangueira de pelo menos 70 anos de idade e de formato sui  generis (vou apresentá-la futuramente), foi trabalhada pela própria natureza com o passar dos 22 anos em que eles ali se encontram. Essa “arquitetura” natural do jardim, eu pude acompanhar durante os 15 anos em que lá vivi, mais os últimos 7 anos em que pude visitá-la periodicamente. Orquídeas nativas, samambaias, espécies outras que foram plantadas e carregam minha história e a de meus pais, como a própria mangueira, são os mais importantes obstáculos a se transpor, se tanto.

Bromélia no telhado-verde natural, talvez uma Billbergia alfonsi-joannis

Após anos vivendo na mesma casa, sempre há aqueles detalhes que caem no esquecimento. Identificar por onde passava a fiação elétrica, que aliás, meu pai lembra, é necessário trocar, a fossa, já desativada, com localização incerta. Esses e outros percalços que dificultam qualquer paisagista e tornam o trabalho um tanto quanto inseguro – falo da possibilidade de ter de desfazer o jardim recém feito etc.

Ainda assim, há nisso tudo aqueles prazeres que compensam: a liberdade para experimentação, possibilidade de retirar espécies invasoras, como a cheflera, e estimular espécies nativas que já se aquerenciaram de forma inusitada, formando um belo telhado-verde, como a Epidenrum fulgens e, claro, torná-lo um jardim em constante transformação.


As Calatéias colorem o espaço esquecido h2

Para um pequeno canteiro entre a churrasqueira e um antigo quarto de empregada, escolhi a Calathea zebrina, a Maranta leuconera, a Pepperomia obtusifolia amarela,  o Pacová, a Vriesia splendens e duas Vriesia hybrida. Contarei a história dessas escolhas e do local em outra ocasião.

As calatéias zebrinas e uma Vriesia splendens

 

 


Resgatando epífitas

Outra atividade que tomou meu tempo foi resgatar algumas epífitas afetadas pela reforma. Essa micro-orquídea, por exemplo, habita minha mangueira e uma primavera na entrada da casa. Como haviam muitos galhos secos na bougainville, resolvemos cortálos e resolvi coletar essas orquídeas para estudá-las. Mas ainda desconheço a espécies. O mesmo ocorre com uma bromélia desse tipo, dependurada numa folha de areca pela raiz e já quase seca, mas com dois brotos laterais. Já ganham forma e despontam no jardim de bromélias que mostro na semana que vem.

Mini-orquídea nativa

 Diário

Uma das novidades, por sinal, será essa. Toda semana, dedicarei espaço para falar do andamento da construção do jardim em minha casa e a reforma em andamento na casa dos meus pais. Espero com isso compartilhar com os leitores minhas experiências e trocar idéias a respeito.

Essa a minha história nessa nossa estação das flores que atravessa seu penúltimo mês. Espero que tenham gostado e voltem logo para comentar e desfrutar as novidades.

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About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.