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Um jardim para os ventos – 15 Knots de Atlas e Forbes Lipschitz

15 Knots, um jardim para os ventos

Winds are advertisements of all they touch, however much or little we may be able to read them; telling their wanderings ever by their accents alone.
Os ventos são propaganda de tudo o que tocam, não importa se pouco ou muito sabemos lê-lo, dizem-nos por onde passaram apenas pelo sotaque que entoam. – John Muir

O vento é uma força determinante na paisagem. Ainda que efêmera, é às vezes sutil, às vezes avassalador. Sua atuação pode modificar “definitivamente” a paisagem em um intervalo de tempo tão curto que podemos apreendê-lo enquanto o fenômeno ocorre, ou de forma tão lenta que jamais em vida saberemos seu resultado.

Ali mesmo onde destrói, abre novas possibilidades, caminhos. Um novo desenho se forma mesmo quando, aos olhos humanos, não sobrou mais que pó e destruição. Por isso, o papel do vento como elemento de desenho da paisagem é normalmente neglicenciado, quando não totalmente negado. Porquanto esteja muitas vezes ligado a própria idéia de liberdade (e o que é a liberdade senão a ausência de barreiras?), sua força e intensidade pode, muitas vezes, dificultar ou mesmo impossibilitar a paisagem construída, humana.

Todas as culturas (ou quase todas) deram a cada vento especifíco, em cada região que habitavam, um nome, conforme suas características, que mudavam conforme a paisagem. Minuano, Bóreas, Zéfiro, Mistral, cada um com um pathos próprio, amiúde com vontades bem humanas. Ybytucatú, em guaraní, quer dizer vento bom. Votuporanga, vento bonito. 

Há, no entanto, um algo contemplativo na paisagem abordada pelas correntes de ar. Algo que nos convida e algo que nos repele. Será seu caráter transitório?

15 Knots, um jardim para os ventos

O escritório ATLAS & Forbes Lipschitz resolveram explorar essas questões, fazendo do vento um componente fundamental no desenho do jardim. Para isso, eles utilizaram duas paredes permeáveis de madeira, escondendo grandes ventiladores que operavam a partir de um programa de computador. Os anteparos serviam como moldura para quem ocupasse a posição contemplativa, delimitando ao mesmo tempo o próprio jardim.

15 Knots (referente à medida náutica de velocidade “nó”) utiliza o linho como elemento que dá materialidade ao vento na forma de planta (Linum usitatissimum) e como produto, através de pequenas bandeirolas brancas que vão sendo retiradas conforme o linho (herbácea) vai crescendo. Os ventiladores são acionados de forma a imprimir na pequena paisagem diferentes padrões.

O trabalho foi exposto em 2012, no Festival Internacional de Jardins do Québec, região produtora do linho, e permaneceu aí por dois anos. Na página do festival, há dois vídeos de apresentação do trabalho.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.