Home / Artes / Arte e Paisagem / Bloom, por Anna Schuleit

Bloom, por Anna Schuleit

Tulipas brancas nos corredores do Massachusets Mental Health Center

Tulipas brancas cobrem os corredores do hospital.

Esse trabalho de Anna Schuleit foi realizado no ano de 2003, por ocasião do fechamento de um prédio de um hospital psiquiátrico de Boston. É um trabalho impressionante, com uma profundidade conceitual difícil de se encontrar. Não é um trabalho de fotografia, ele foi instalado e aberto a visitaçãopor 4 dias para o público. No total, foram utilizadas 28 mil flores e 520 metros quadrados de grama.

Achei o trabalho tocante, e me surpreendeu que eu não tivesse me impressionado tanto alguns dias atrás, quando um artigo a respeito entrou no meu feed de notícias. Por sorte, eu sempre guardo coisas do tipo em uma lista de favoritos para leitura posterior. É uma das fontes para a produção de conteúdo do Jardim de Calatéia. Há uma bela entrevista com a artista no Colossal e outros trabalhos podem ser conferidos no site da artista. Pretendo fazer a tradução, mas não me comprometo, porque o tempo anda corrido e há muita coisa para publicar depois de quase um mês parado. De toda forma, para quem não lê em inglês, faço um resumo:

Bloom, por Anna Schuleit

A composição da obra utilizou 28 mil flores em vasos

 

Em 2003, quando trabalhava em outra instituição psiquiátrica no estado de Massachussets, Anna recebeu um telefonema para fazer o trabalho em um hospital de Boston.  A instituição, chamada Massachussets Mental Health Center, fechara o prédio para ser demolido e dar lugar a novas instalações. O evento coincidiria com os 90 anos do hospital, e decidiu-se por, antes da demolição, abrir uma pausa para reflexão. Schuleit foi convidada a conhecer o prédio e projetar uma instalação que permitisse esse ambiente para recordar e refletir. Para fazer o trabalho, a artista exigiu apenas um atelier onde pudesse criar seus esboços, as chaves de todos os quartos e salas e a companhia de uma pessoa que conhecesse muito bem o lugar e suas histórias. Ela criou o conceito em uma semana e depois precisou de mais três meses para exectuá-lo. Contou com uma equipe de oitenta voluntários para isso. Segundo Anna, o conceito da instalação era proporcionar um ambiente de passagem do lugar, de um ambiente físico, para a memória das pessoas que conviveram e da instituição. Vale a pena ler algumas dos depoimentos deixados no livro de visita, por isso, vou traduzir livremente alguns, aqui.

Eu visitei Bloom com um amigo querido que havia passado um bom tempo dentro de hospitais assim. Ele chorou e dizia repetidamente que tinha o desejo de pular sobre as flores, realçando a liberdade a celebração de seu crescimento e cura. Nós reconhecemos que Bloom levou beleza e brilho ao que sempre esteve intrinsecamente ligado a um taboo.

E outro:

‘Nunca sofra sozinho’, era a afirmação clássica do Dr. Tom Gutheil, mas por causa da falta de apoio social, a maoria dos pacientes que chegaram aqui tinham que sofrer sozinhos. Anna viu esses corredores como lugares a serem preenchidos com crescimento. Para todos os pacientes que nunca receberam flores, essas flores são para vocês.

Após quatro dias de exibição, o trabalho foi desmontado, e as flores distribuídas para outros institutos similares.

Todas as fotos do artigo são do acervo da artistas, e foram retirados do Garden Design, do Colossal e do sítio oficial de Schuleit. Clique em qualquer uma das fotos para abrir a galeria.

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.