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O Jardim de Artes e Esculturas de Bruno Torfs

O Jardim de Bruno Torfs depois do incêndio

Em 2009, um incêndio devastou toda a região de Marysville, destruindo com ela o trabalho de anos a fio de Bruno Torfs

Havia, em uma pequena cidade no sul da Austrália, chamada Marysville, um pequeno jardim de maravilhas que se estendia pelas margens das águas recém caídas de Steavensons Fall. Envolto pela floresta tropical, esse jardim abrigava sereias deitadas sobre pedras a beira do rio, duendes e fadas e um sábio recostado ao pé de uma grande e velha árvores, cujo porte não se sabe se refletia a sabedoria do velho, ou se era o velho quem dela buscava conhecimento e paz de espírito. Muitas outras coisas havia, e, assim como os seres fantásticos, os seres humanos ali acorriam para ter com eles alguns momentos de fantasia, descanso e contemplação.

Como em todo conto de fadas, cujo princípio de paz e a alegria não passa do prelúdio para um perigo iminente, também nesse jardim o destino veio pregar das suas peças. E, como também está no enredo dos contos de fada que desenhava, esse Jardim de Esculturas, de Bruno Torfs, ressurgiu das cinzas, literalmente, para um futuro melhor.

Artista nascido na América do Sul e fixado na Austrália, Bruno Torfs teve toda sua obra destruída num incêndio que devastou a pequena cidade de Marysville na província de Victoria, parte sul daquele país. Corria o ano de 2009 quando o desastre mudou a vida dos cerca 500 moradores da cidade. Assolados pelo fogo, tiveram que sair as pressas de suas casas e esperar mais de dois meses até que as investigações e busca por sobreviventes tivesse m cessado.

Bruno Torfs perdeu sua obra (quase todas as 135 esculturas que ficavam no jardim) e o ateliê que guardava mais de 200 telas. Por sorte ou por milagre, várias delas “sobreviveram” ou estavam em condições de serem recuperadas. O trabalho, contudo, não se resumia às esculturas. Além delas, havia um imenso trabalho de reflorestamento e planejamento da paisagem a ser refeito, e Bruno, como ele mesmo afirma, encarou o trabalho com ânimo renovado e o auxílio de inúmeros voluntários. Era preciso não apenas restaurar e construir novos personagens, mas também levantar mais uma vez todo o ambiente que lhes servia de cenário e os animava.

Em 2011, o jardim foi reaberto ao público.

 As obras de Bruno Torfs

Além das esculturas para o Jardim, Bruno mantém um ateliê de pintura em sua residência. À época do incêndio, contava com mais de 200 telas. Essa produção é menos conhecida do público em geral, e, naturalmente, vive à sombra de seu trabalho mais importante e criativo que são as esculturas. Uma pequena amostra de seus quadros, no entanto, revela o diálogo que há entre os dois trabalhos.

Um dos aspectos interessantes a se relevar, é que o elemento humano é basicamente representados por aborígenes e ameríndios, porquanto o elemento fantástico provém de lendas européias (gnomos e fadas). Isso se reflete em suas telas, embora sejam aqui menos evidente. De toda forma, as pinturas aparecem como estudos para o trabalho realizado no jardim.

fauno no Jardim de Artes e Esculturas de Bruno Storf

O material empregado, grande parte dele proveniente da própria floresta, dá às esculturas um sentido natural, como se emanassem da própria natureza.

 As esculturas e o Jardim de Artes

 As esculturas de Bruno Torfs misturam a técnica da cera com a utilização de material encontrado no próprio bosque: pedras, galhos e troncos caídos, musgos etc. Essa combinação permite ao artista inserir as obras na natureza sem que se tornem um alienígena na floresta. Na verdade, um dos pontos fortes desse trabalho é justamente fazer com que as esculturas pareçam tão naturais ao ambiente, que algumas vezes se confundam com ele, dando a impressão de terem brotado da própria terra.

 Por outro lado, as fotografias dão conta de uma interferência mínima na paisagem, ou, ao menos, tão pouco quanto seja possível: a maneira como constrói as esculturas é suficiente para compor a paisagem, sem alterar a flora nativa. Dito de outra maneira, as esculturas são feitas para uma paisagem que lhes precede, e não para uma paisagem construída a partir de um arranjo de plantas exóticas.

 O Jardim de Artes e Esculturas segue aberto ao público em Marysville, Austrália. Em 2005, foi lançado Colourful Story, contando a história do jardim de Bruno. Depois do trágico incidente, e da reconstrução, o livro conta também essas histórias.

 

Fontes:

StoneArtBlog

Site oficial do Jardim de Artes e Esculturas

http://olavosaldanha.wordpress.com/bruno-torfs/

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.