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Tree, line – horizonte limite, por Zander Olsen

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Jhutti, 2004

Em inglês, o termo “Tree Line” designa o limite do terreno em que as árvores são capazes de crescer. A “linha”, por assim dizer, que, desde muito longe, se pode enxergar, em que a floresta começa a definhar, suas árvores tornando-se ao mesmo tortas e cada vez mais arbustivas, por ação do vento e do clima ao qual são limítrofes e onde já não podem mais crescer. Desde um lugar distante, enxerga-se isso, o recrudescimento da floresta ou do bosque. Desde muito perto, uma riqueza de linhas e detalhes, árvores retorcidas pela intempérie.

Zander Olsen, artista galês, de 35 anos, explorou justamente esse terreno em uma série de fotografias que teve início em 2004 e foi encerrada em 2010. Nelas, o artista desenha meticulosamente linhas que tocam o contorno do horizonte, através dos troncos tortuosos de árvores que habitam essa faixa estreita em que o bosque mal termina.

“Tree, line”, traduzindo ao pé da letra, “Arvore, linha”, na terminologia do artista, designa um ponto de encontro entre a linha do horizonte (futuro) e a linha do presente (bosque), em que a céu e terra se encontram e não apenas se tocam, como também se misturam e se invertem, num jogo dialético que me faz lembrar um poema de Oliverio Girondo, bardo argentino, precursor, talvez, do surrealismo em terras castelhanas:

Se miran, se presienten, se desean,
se acarician, se besan, se desnudan,
(…)
se retuercen, se estiran, se caldean, 
se estrangulan, se aprietan se estremecen…

Zander olsen, fotografia, tree line, cadair (oak)

Cadair (Oak), 2010

O onírico e o erótico, aliás, fazem parte das referências de Zander Olsen, que, entre suas inspirações, tem o pintor Gustav Klimt e sua bem conhecida “Árvore da Vida”. Outra referência importante é James Turrell, artista que transformou uma das salas do MoMa, em NY, a PS1, em obra de arte em constante mutação, ao fazer entrar a luz através de um recorte no teto.

Em “Tree, line”, no entanto, parece não haver acaso. O horizonte se dilui, céu e terra se invertem, a linha que amarra as árvores chapa a noção de profundidade e, assim mesmo, somo capazes de permanecer longo tempo olhando essas imagens, imersos num jogo de faz de conta que isso é uma surpresa.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.