Home / Arquitetura Paisagística / Um Jardim de títeres – String Gardens de Van der Valks

Um Jardim de títeres – String Gardens de Van der Valks

Jardim de títeres | Jardim de Calatéia

A técnica se adapta para a construção de cenários, assim como a decoração de interiores.

As técnicas de jardim em pequenos espaço ganharam força e se desenvolveram de forma muito rápida nos últimos anos. Jardins verticais, telhados verdes, hortas em garrafas pet, hidroponia, as opções são as mais variadas e nem sempre se restringem ao utilitário. Há espaço para as esteticamente mais refinadas e para aquelas que privilegiam a reciclagem de materiais. As que exigem esmero técnico do jardineiro, e outras cuja facilidade de uso é suficiente para quem tem o dia tão ocupado, que ao chegar em casa mal tem tempo para regar as suas plantas. O designer holandês Fedor van der Valks desenvolveu um tipo de jardim suspenso que impressiona pelo refinamento estético, que exige maestria na preparação, mas cuja manutenção é relativamente fácil. Essa técnica é chamada string gardens, e, embora a tradução mais fiel para o português seja jardins de cordas, vou chamá-la aqui de um jardim de títeres.

Eu pensei no título vendo as fotos no site oficial da companhia que leva o mesmo nome. Pensei num cenário de uma peça. A imagem me remeteu a uma fábula, que poderia ser uma antiga lenda celta ou nórdica, em que o universo fosse uma reunião de esferas suspensas, manipuladas por um gigante cujo passatempo fosse a horticultura. E se parecem assim os “jardins” formados por van der Valks, pequenos mundos isolados, em que uma bola de musgo dependurada por um barbante, dá suporte a uma planta que pode ser uma pequenina flor, ou uma árvore em forma de bonsai.

O inventor do string gardens, admite, em entrevista a CasaSugar, que flertou com o bonsai durante alguns anos, mas que abandonou a técnica, por ser muito impaciente. Mais do que com o bonsai, no entanto, a técnica tem parentesco com o kokedama, forma japonesa de cultivo que consiste em envolver o substrato em musgos, como no string garden.

 O holandês não apenas adicionou as cordas para suspendê-las, mas durante anos desenvolveu o uso e cuidado de inúmeras espécies apreciadas na Europa, desde orquídeas, até árvores frutíferas, como o limão, passando por samambaias e chifres-de-veado. Embora a produção exija paciência e habilidade manual, a manutenção é simples, exigindo apenas regas periódicas. A imagem nessa pagina ensina como fazê-lo.

Jardim de títeres | Jardim de Calatéia

Como cuidar do seu StringGarden, clique na imagem para ver a série.

De acordo com van der Valks, as espécies mais apropriadas para um kodekama são: gerânios, asparagus, bulbos, e arvoretas.

Aqui algumas fotos, retiradas do site oficial. Clicando sobre qualquer uma delas, você vê a galeria em tamanho real.

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.