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Nomenclatura científica de orquídeas

 

laelia purpurata, nomenclatura cientifica

O iniciante no hobby de colecionar orquídeas depara-se com uma dúvida: como nomear corretamente suas plantas? Não é uma tarefa fácil nem difícil, apenas necessita de um pouco de dedicação para que os conceitos e a fonética sejam entendidos corretamente. A pronúncia é difícil no começo, mas nada que o treino não resolva.

Bom, antes de mais nada é importante salientar a importância da correta identificação de uma planta. De nada adianta você ter uma coleção sem identificação alguma. Você provavelmente acabará adquirindo plantas repetidas ou trocando plantas que não são aquilo que a contra parte da negociação está esperando.

Outra coisa boa de possuir uma planta corretamente identificada é poder difundir sua imagem com a nomenclatura correta. Não é raro encontrar imagens na internet, principalmente nos milhões de grupos desunidos que temos, com nomes que não correspondem às plantas fotografadas. Considero isto pior do que postar um planta sem o nome, pois acaba induzindo ao erro daquele que busca a informação e o aprendizado.

Eu mesmo devo ter plantas classificadas com erro. Infelizmente, a maioria de nós não possui um botânico ao nosso lado capaz de classificar corretamente todas as plantas que possuímos. Quando recorremos à livros, algumas vezes não encontramos a espécie cujo nome buscamos.

Quando caímos na internet, com seus fóruns e grupos, corremos o risco de ter a planta classificada incorretamente, pois podemos fornecer uma imagem que não seja a melhor para classificar uma planta. Com base na fotografia, quem se arrisca a interpretar a imagem, às vezes o faz sem conhecimento de causa, ou interprete a imagem de outra maneira. Enfim, erros acontecem e sempre vão acontecer.

De qualquer forma, o importante é organizar da melhor forma as plantas que você possui, certo?

 Já mostrei aqui como eu organizo minhas plantas com o auxílio da rotuladora. Fora isto, tenho uma planilha com todas as plantas que possuo catalogadas com informações básicas como nome, número, tipo de vaso, tipo de substrato, origem, data de origem e mês de florada em todos os anos. É hora de entendermos como escrever corretamente o nome de uma determinada planta.

Etimologia

orchis mascula, origem do nome orquídea, nomenclatura científica de orquideas

Orchis mascula é uma orquídea terrestre que ocorre em quase todo o continente europeu. Na ilustração, observe a raíz da planta, que deu origem ao nome da família das Orchidaceae. Com a raíz seca dessa planta, faz-se uma bebida chamada Sahlab, muito apreciada na parte oriental do mediterrâneo.

De acordo com as regras de nomenclatura botânica, o nome da família deve ser escrito em latim, ou seja, Orchidaceae, derivado do grego Orchis. O termo Orchis significa testículos e foi usado pela primeira vez por Theophrastus (372~287 a.C.), filósofo grego, discípulo de Aristóteles. Theophrastus comparou as raízes tuberosas de algumas orquídeas mediterrâneas com os testículos humanos. Por este motivo, desde a Idade Média, propriedades afrodisíacas são atribuídas às orquídeas.

Latim? Bom, há um motivo para tal: padronização. Os nomes das orquídeas (e muitas outras coisas) são dados em latim ou grego clássico por serem línguas mortas. Desta forma, serão iguais em todo o mundo e nenhuma língua viva irá prevalecer sobre ela.

Pronúncia

Isto gera alguns problema na hora da pronúncia. Eu mesmo vivo falando errado, passando a maior vergonha na frente das pessoas que entendem melhor este assunto. Alguns exemplos:

  • O encontro de vogais ae pronuncia-se e – exemplo: Laelia -> Lélia;
  • O encontro de vogais oe pronuncia-se e – exemplo: Coelogyne -> Celogine;
  • O encontro de consoantes ch pronuncia-se k – exemplo: pulchelum -> pulkelum;
  • O encontro da consoante e vogal ti pronuncia-se ci, exceto quando precedido de st ou x – exemplos: Constantina -> Constancia, Neofinetia -> Neofinecia, Bletia -> Blecia, Comparettia -> Comparettia, Pabstia -> Pabistia.

Algumas regras básicas

Consoantes

– A letra x tem sempre o som cs:

xánthina -> csántina;
chrysotóxum -> chrysotócsum.

– O conjunto ch tem som de k:

chocoénsis -> kocoénsis;
Dichaea -> Dia;
Dendrochílum -> Dendrokílum.

– O conjunto ti, quando seguida de vogal, soa como ci:

Binotia -> Binócia;
Blétia -> Blécia;
martiána -> marciána.

Porém, se precedida de sx ou t, soa mesmo como ti:

Comparéttia -> Comparettia.

– O ph soa como f:

Phragmipédium -> Fragmipédium;
Phymatídium -> Fimatídium.

Ditongos

– ae e oe soam como e:

Laelia -> Lélia;
triánae -> triáne;
Coeloglóssum -> Celoglóssum;
Aeónia -> Eónia.

– Quando a e e não formam ditongos devem ser pronunciados distintamente. Neste caso deve-se colocar um trema sobre o e.

rángis, ránthes, rides.

Acentuação do latim

No latim, apenas a penúltima e a antepenúltima sílabas levam acentuação tônica, ou seja, palavras paroxítonas e proparoxítonas.

anceps -> ánceps;
Colax -> Cólax.

Localizando a sílaba tônica em palavras com mais de duas sílabas

A que serve de base para localizar a tônica é sempre a penúltima:

  • Se a vogal dessa sílaba for seguida de x ou z ou de duas consoantes duplas (lltt) ou de duas simples (ntsc, …), a tônica será nesta mesma sílaba. Exemplos: Bulbophýllum , Polyrhízia, chysotóxum, Scaphyglóttis, colóssus, rufescéns, flavéscens, pubéscens, nigréscens, albéscens, e outros terminados em scens.
  • Se na penúltima houver ditongo: ae -> eoe -> eaueueeioiui, a tônica estará também nesta sílaba, por exemplo: Promenaea -> Promenéa; Dichæa -> Dikéa, amoenum -> aménum;
  • Se a vogal da penúltima sílaba for seguida de outra vogal (da última sílaba), o acento tônico estará na antepenúltima, por exemplo: Stanhópea -> Stan-hó-pe-a; Blétia -> Blé-ti-a -> Blécia; Loddigésii -> Lod-di-gé-si-i; Neomóre -> Ne-o-mó-re-a; Cymbídium -> Cym-bí-di-um;
  • i pode influenciar na acentuação quando estiver na penúltima sílaba. Exemplo: longipes deverá pronunciar como proparoxítona -> lóngipes. Nos compostos de color o acento deverá estar na antepenúltima. Exemplos: bícolor, díscolor, trícolor unícolor, cóncolor.
  • O sufixo inus das palavras latinas deverão ser pronunciadas como paroxítona. Exemplos: matutína, velutína, tigrínum, lilacínus. Nas palavras derivadas do grego deverão ser pronunciadas como proparoxítonas. Exemplos: cinnabárina, xánthina, tyriánthina.

Na continuação deste artigo falarei sobre a etimologia dos nomes das espécies das orquídeas, assim como sua nomenclatura botânica.

Referências gerais

Questões práticas de nomenclaturas de Orquidáceas, José Gonzales Rapozo
Dicionário etmológico das orquídeas do Brasil, José Gonzales Rapozo
A etimologia a serviço dos orquidófilos, José Gonzales Rapozo
www.damianus.bmd.br/CursoLabiata

About Luis Renato

Cientista da Computação por formação, Mestre em Informática Aplicada por teimosia. Apaixonado por Formula 1, divide seu tempo livre entre seus três passatempos prediletos: orquídeas, aquários e fotografia. Odeia ervilhas. Mantém um blog chamado Orquidário Faísca, onde conta suas peripécias no mundo da orquidofilia.