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2 anos de Jardim de Calatéia: reflexões

Eu mesmo, dois anos atrás, observando plantas numa trilha em Florianópolis.

Eu mesmo, dois anos atrás, observando plantas numa trilha em Florianópolis.

Ontem, 30 de junho de 2013, o Jardim de Calatéia completou dois anos. Da do primeiro post a figurar no blog, sob o título O Jardim Selvagem de Rosa Kliass no Teatro Oficina. Era quase um manifesto que antecipava uma idéia ainda em formação sob os rumos que o site, até então chamado de Calatéia: Jardinagem e Paisagismo, viria a se tornar. Começa com a seguinte frase:

Pode-se pensar o Teatro como Arte, ou como uma forma de se pensar a Sociedade e a Cidade.

A maioria deve ter se espantado que um blog que se propunha a falar de Jardinagem e Paisagismo tenha iniciado dessa forma, lançando-se à luz com uma pequena reflexão sobre o Teatro. O começo de um novo site, dizem, sempre é algo difuso. Motivado mais pela empolgação de jogar no vazio da web as próprias idéias do que em refleti-las adequadamente. É com o tempo e a perseverança que elas vão se ganhando forma e, conforme se irradiam, os primeiros contatos com os leitores estabelecidos. Com eles, a reflexão em torno do tema e o impulso para levar adiante o trabalho.

Abaixo: Miltonia regnelli, Habranthus robustus e Polystachia caespitosa, plantas especialíssimas desse jardim.

Mas, se o início é trôpego, há sempre naquela pequena semente, por assim dizer, semeada, um fruto latente. Um pequeno brilho daquilo que, futuramente, viemos a alcançar e que nos permite dizer: há aí certa coerência. No caso, a reflexão sobre o fazer teatral e a atividade paisagística (do arquiteto como do jardineiro) não são de todo dissociáveis. Daí ter iniciado enunciando: “uma forma de se pensar a Sociedade e a Cidade”. 

E, se o texto falava das contribuições de Rosa Kliass, uma das maiores arquitetas paisagistas vivas, com o Teatro Oficina, porque não dizer também: buscava uma forma de refletir o Jardim e o Paisagismo no contexto das Artes. E assim foi. Com alguma dificuldade inicial, é claro. O estudo e a pesquisa, no entanto, logo jogaram luzes sobre as boas referências.

A Revista GardenDesign, por exemplo, foi de início fonte e inspiração para o Jardim de Calatéia. Publicação bimestral, com textos bem elaborados, não raro falando de Literatura e Jardim, tecendo observações tanto sobre as metáforas botânicas de Shakespeare, quanto sobre o Jardim Etnobotânico de Oaxaca, por exemplo. Tema aliás, de um post do Calatéia em 25 de abril de 2012.

E, em seguida, os parceiros blogueiros, cuja atividade mirava o mesmo objetivo, cada um a sua maneira, de escrever sobre o assunto com qualidade técnica e literária. Sérgio Oyama Junior com seu Orquídeas no Apê, foi uma descoberta incrível, que me fez repensar a minha própria escrita e abandonar o ranço acadêmico de um recém egresso da Psicologia, primeiro, e das Artes Cênicas, depois. Outro, mais recente e que se tornou colaborador de carteirinha, o Luis Renato, com o seu belo Orquidário Faísca.

A mais importante, diria até, vibrante colaboração, no entanto, foi a da amiga Dagmar Laus, cuja força não se limita a fotografia inspiradora que tem qualificado essas páginas, mas também aos diálogos e sugestões dadas via e-mail e Facebook.

Algumas fotos de Dagmar Laus, destaque para Cordyline terminalis, Plectranthus barbatus e Pyrostegia venusta

Em 2 anos, o Jardim de Calatéia, pois, vai, como as próprias plantas sobre as quais publica, se metamorfoseando, crescendo. Da semente inicial, como blog, rumo tornar-se uma revista digital sobre Arquitetura Paisagística, Jardinagem e Artes. Não se trata de coisa fácil. Os percalços são muitos e nem sempre se devem apenas a fatores externos. Vale lembrar, no entanto, ressaltar mais aquilo que se ganhou subindo um caminho de pedras do que as poucas pétalas que ficaram para trás:

No mês do seu aniversário, essa publicação alcançou mais de 10 mil visualizações de páginas qualificadas. Com qualificadas quero dizer que foram dez mil visualizações feitas por usuários reais, que permaneceram em média mais de dois minutos lendo nossas páginas e artigos. Agregamos novas seções e melhoramos outras.

Reorganizamos toda área de Plantas Ornamentais, por exemplo, dando ao leitor uma experiência mais interessante na busca, permitindo não apenas encontrar a planta procurada, como também encontrar soluções para o tipo de espaço em que pretende começar o seu jardim. Ao mesmo tempo, iniciamos uma seção especial, unindo descrição e dicas de cultivo de hortaliças e receitas especiais para aproveitá-las no dia-a-dia, o nosso jardim comestível.

Por outro lado, migramos o site para um servidor poderoso, capaz não apenas de absorver o fluxo atual, como também de permitir a expansão do Jardim de Calatéia, a chegada de novos colaboradores e planos futuros que temos.

Os próximos artigos serão dedicados a apresentar cada uma dessas melhorias e dar conta das novas ferramentas que queremos oferecer num futuro bem breve.

A cada um dos leitores e colaboradores deixo meus agradecimentos. Em especial a minha querida Sarah, que todo esse tempo esteve ao meu lado e compartilhou os anseios, desejos, frustrações e pequenos sucessos.

Frederico Teixeira Gorski

Editor

 

 

 

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.