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730 Orquídeas da Serra do Castelo em 4 volumes

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Com a publicação iniciada em 2013, a obra bilíngue “Orchidées du Brésil – As orquídeas da Serra do Castelo” pretende agrupar em quatro volumes as cerca de 730 espécies de orquídeas que habitam a região montanhosa do Espírito Santo até 2015. Trata-se de nada menos do que 30% das espécies de orquídeas do Brasil (estima-se um total de 2500).

Escrito pelo pesquisador francês Guy Chiron em parceria com o capixaba Renato Bolsanello, os livros da coleção são impressos em papel couche com alto brilho e contém, além do material descritivo, fotografias e desenhos esquemáticos que auxiliam o leitor a compreender a morfologia de cada planta. É um trabalho de altíssima qualidade, baseado em uma pesquisa aprofundada e que traz para o público brasileiro o que há de mais avançado nos estudos sobre as Orchidaceae.

Dos quatro volumes, foram lançados até agora o segundo e o terceiro. O quarto volume está sendo escrito e deve ser lançado nos próximos meses, enquanto o primeiro tem lançamento previsto para o final do ano, ou início de 2015.

A razão para essa aparente desordem nos lançamentos tem a ver, na realidade, com a forma como a obra foi concebida, além de aspectos econômicos e práticos. Os autores, Guy Chiron e Renato Bolsanello explicam que o segundo volume foi o primeiro a ser escrito porque toda a pesquisa já havia sido finalizada, texto e material gráfico finalizados. Por questões econômicas, decidiu-se pelo lançamento desse antes que o outro, até como forma de arrecadar fundos para a continuidade do projeto e por questões práticas decidiu-se deixar o primeiro volume por último para que pudesse ser acrescentada espécies novas que fossem descobertas ao longo da pesquisa, para que o índice no volume 01 ficasse correto.

Um francês apaixonado pelas orquídeas brasileiras

CAPAvolume03Com 422 páginas, o segundo volume, dedicado a uma parte da subfamília Epidendroideae, reúne uma pesquisa de cerca de 13 anos da dupla. O francês Guy Chiron, com 69 anos de idade, botânico, interessa-se por orquídeas brasileiras desde 1992, quando veio ao país para participar do Congresso do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A partir de 2002, começou a fazer viagens freqüentes ao Brasil, e, em 2008, escreveu uma tese botânica sobre o gênero Pabstiella.

Esse é um dos gêneros que figuram neste primeiro (na realidade, segundo) volume da obra. Pertencente à subtribo Pleurothallinideae, tem trinta orquídeas identificadas e descritas pela primeira vez, dentre elas: Pabstiella biriricensis Chiron & Bolsanello e Pabstiella dasilvae Chiron & Bolsanello.

Uma pesquisa em desenvolvimento

Além das novas orquídeas, a obra introduz uma nova classificação, rearranjado diversas espécies em outros ou ainda em novos gêneros. Essa reorganização não é mera invencionice dos autores, ainda que possa causar algum desconforto no meio orquidófilo mais conservador. Que método científico, afinal de contas, ousaria dizer que existem no Brasil apenas três espécies de Laelias e apenas um Pleurothallis?

O “crime”, no entanto, não foi cometido nem por Chiron, nem por Bolsanello. Trata-se de uma tendência nos estudos botânicos, após a introdução de métodos filogenéticos de análise do DNA das plantas. A análise do material genético permitiu uma maior precisão na taxionomia da família das Orchidaceaeainda que, de início, pareça um pouco confuso.

E, no reino das orquídeas, nada mais comum do que o reordenamento das espécies, surgimento de novos gêneros etc. Veja-se o caso das Epidendrum. Descrito pela primeira vez por Lineu, já incluiu praticamente todos as orquídeas epífitas do novo mundo. Paulatinamente, no entanto, os botânicos foram aprofundando os estudos e descobrindo novas espécies. 

A complexidade do tema é tal, que, mesmo com a drástica redução da Mata Atlântica desde a chegada dos portugueses ao Brasil, novas espécies continuam a ser descobertas. Falamos de espécies e não de híbridos naturais, que, como bem anotam os autores, são muito comuns no país. Por isso, a pesquisa que envolve a composição do livro Orquídeas da Serra do Castelo continua em andamento e, ainda que faltem dois volumes por publicar, já vislumbram uma nova publicação, com as plantas que ficaram de fora deste.

Orquídeas da Serra do Castelo

Estendendo-se desde a cidade de Colatina, no centro do Espírito Santo, até o seu extremo sul, no município de Cachoeira do Itapemirim (225km de extensão), a Serra do Castelo é a maior formação de montanhas do tipo no estado. O clima é tropical de altitude, com precipitação média de 2.300 mm. O pico mais alto está a 2039m acima do nível do mar, enquanto a média da serra é de 758m.

A região não é conhecida apenas por abrigar um número impressionante de espécies de orquídeas, mas também pela beleza de seu revelo, em que se destaca a Pedra Azul e por ser grande produtora de café e frutas de clima temperado, como uva e morango, entre outras. 

Mais recentemente, o plantio de eucaliptos e pinheiros para a produção de celulose, no entanto, são uma constante ameaça aos trechos de mata-atlântica aí preservados, e, por conseguinte, uma ameaça a preservação dessas e outras orquídeas talvez ainda desconhecidas. 

Orquídeas da Serra do Castelo é um livro de consulta valioso para quem iniciante ou pesquisador experimentado. Porém, mais do que isso, ao reunir numa única obra, 30% das espécies de orquídeas do Brasil, chama a atenção para a importância da manutenção dos poucos trechos de Floresta Tropical Atlântica que nos restaram.

Se essas plantas são nosso pequeno tesouro, a Serra do Castelo é sua arca. 

Informações adicionais

TítuloOrchidées du Brésil – orquídeas da Serra do Castelo, 4vols.

Autores: Guy Chiron & Renato Bolsanello

Bilingüe: sim.

Editora: Tropicalia

Vol. publicados: 2 e 3.

Próximos volumes: 4 (lançamento previsto para Julho/2014) e 1 (janeiro/fevereiro 2015).

Os interessados deverão enviar um e-mail para [email protected] informando o nome completo, endereço completo e número de telefone para contato.

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.