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Querem transformar o MASP em um elefante

O que vai além do “particular”, o que alcança o coletivo, pode (e talvez deve) ser monumental. (Lina Bo Bardi, O novo Trianon, 1957/67, in: Lina por escrito)

O Estadão que acabar com o MASP.

O Estadão que acabar com o MASP. Na imagem, croqui de Lina.

Agora, um editorial do Estadão. Dia 25 de novembro de 2013. Determina a ruína do famoso vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP). É dizer, a ruína de todo o prédio, porque seu sentido se perde com o sugerido fechamento de seu espaço térreo. É mais, se levado a cabo o que, por um lado, diz o editorial e, por outro, segundo o mesmo texto, o que vem sendo negociado junto ao IPHAN por seu curador, Teixeira Coelho, não apenas se decreta a ruína do prédio como se determina o processo de torná-lo, em si mesmo, uma ruína. 

“É preciso preservar o MASP”, escreve o editorial. E elenca uma série de razões que, segundo ele, colocam em risco a própria existência do prédio. Teixeira Coelho, segundo o texto, estaria tentando, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o fechamento do vão livre. Segundo ele, é “um atraso essa posição do Iphan, pois a São Paulo de hoje não é a mesma da época em que o Masp foi inaugurado”, as aspas são atribuídas ao curador pelo jornal.

Faço essa ressalva, porque desconheço se Teixeira Coelho pensa realmente dessa maneira. Se o faz, deveria recorrer na sua estante livro que certamente guarda, ou deveria guardar, como um de seus favoritos. A saber, Lina por escrito, compilação de escritos da arquiteta Lina Bo Bardi, responsável pelo MASP. Lá, vai aprender o sentido de sua arquitetura com, dentre outros textos, um que fala justamente sobre o processo de criação e a construção do prédio pelo qual Teixeira Coelho é o atual responsável. 

Vai aprender, nesse texto (O novo Trianon 1957/67), porquê o vão não é mero capricho, e como Lina pensava sua obra como tendo sentido coletivo, voltado para o público, tomado não como entretenimento, mas sim como espaço de apropriação, por parte das massas, do espaço cultural que o museu representa. E, se tiver tempo de refletir, verá que, a proposta não apenas destrói esse sentido, como injeta no edifício um outro sentido, que Lina apelida de elefântico, a zombar do falso sentido monumental das obras empreendidas pelos regimes de Hitler e Mussolini.

Estou dizendo que a proposta do Estadão é fascista? Estou, mas não quis dizê-lo diretamente, por Abilio Guerra, para o site Vitruvio, já o fez, com mais elegância do que a minha. Este é um texto de revolta.

 

 

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.