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Como prevenir e combater as cochonilhas

Nota do Editor: Esse artigo foi publicado em 2013 pela revista Como cultivar orquídeas. O autor, gentilmente, cedeu o artigo ao Jardim de Calatéia.

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Com aproximadamente 70 mil espécies, as cochonilhas são uma das pragas mais temidas em espécies frutíferas e em orquídeas. Seus predadores naturais são a vespa e as joaninhas. Foto de Cin, via Flickr

Os insetos da ordem das homopteras caracterizam-se, além de outros atributos, por possuirem um aparelho bucal do tipo picador-sugador: as cigarras e os pulgões são alguns exemplos, além, é claro, das tão temidas cochonilhas.

Estas últimas compreendem mais de 70 mil espécies, podendo, ou não, apresentar carapaças. Se alojam tanto na parte aérea quanto nas raízes e rizomas das orquídeas, sendo identificadas por pontos brancos que se espalham por toda a planta.

Durante o verão, e nos períodos quentes e úmidos, a multiplicação e desenvolvimento das cochonilhas chega ao seu ápice na natureza, diminuindo nos períodos chuvosos que acabam por asfixiar e desprendê-las de seus hospedeiros.

Essa aparente fragilidade, fez com que a natureza desenvolvesse uma forma de defesa: nas espécies de cochonilha, os machos vivem apenas o tempo necessário para copular com as fêmeas (ou seja, 24 horas). Estas, maiores, de coloração rósea, depositam os ovos (dentro de ovissacos) na substância pegajosa que serve de fixador destes.

 

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Detalhe da cochonilha. Esse inseto sugador é uma das principais pragas de orquídeas. Foto de dougmino, via Flickr

Elas se espalham pela planta, principalmente em ambientes de alta umidade e com falta de ventilação eficiente, indo desde as folhas até a base das raízes, inclusive penetrando por bainhas secas no pseudobulbo, picando e sugando a sua seiva, introduzindo toxinas que modificam o metabolismo na planta e secretando substâncias viscosas adocicadas que atraem as formigas, servindo de meio de cultura para a proliferação de fungos.

Esta relação das cochonilhas com diversas espécies de formigas é maior do que imaginamos. A chamada protocooperação (relação ecológica harmônica, em que ambas as espécies são beneficiadas) propicia às formigas a secreção açucarada de que necessitam e em troca fazem caminhos nas plantas cobrindo as cochonilhas com restos orgânicos criando uma proteção contra joaninhas, vespas e outros insetos, além de um microclima favorável à sua multiplicação.

Com o movimento das formigas as cochonilhas se disseminam por todo ambiente, daí a importância de combatermos não apenas as cochonilhas, mas também as formigas.

O ataque de cochonilha pode facilitar o ataque de fungos e bactérias, pois a planta estará debilitada. Por isso é normal que orquidários comerciais, logo que verifiquem o ataque por cochonilhas, descartem as plantas atacadas, ou façam o tratamento, através da incineração(das partes afetadas), tratamento biológico ou químico.

Porém, é essencial não propiciar as condições necessárias a seu aparecimento no orquidário, bastando para isso, arejar, molhar de maneira adequada e combater as formigas que invadem o orquidário.

Poderíamos utilizar os predadores naturais da cochonilha em seu combate, como a joaninha e a vespa, além de marimbondos e outros insetos. A maneira mais utilizada, contudo, para o combate em pequenos ataques é a limpeza da planta com uma solução de água e sabão neutro (10ml/L). Por fricção, espalha-se o líquido com uma escovinha de dentes, fazendo a sua remoção por completo, além do corte de pseudobulbos mortos.

Caso queiramos um tratamento para uma grande infestação, podemos aplicar óleo mineral ou vegetal (10ml/L) em água, óleo de Nim com pulverizador, ou ainda de Ácido pirolenhoso.

Outra forma seria a utilização do controle químico, onde podemos fazer uso de inseticidas sistêmicos que agem por contato e ingestão, podendo permanecer na planta por semanas ou até um ano, tendo assim o efeito de longo prazo. Vale lembrar que após aplicarmos esses inseticidas, devemos colocar as plantas em posição vertical para que a solução atinja toda a planta até as raízes. Dentre os mais indicados, estão os inseticidas organofosforados.

 

About Renato Ximenes

É botânico, especializado em orquídeas. Escreveu em co-autoria com G. Chiron, botânico Francês, o livro As orquídeas da Serra do Castelo, cujos volumes 2 e 3 foram publicados em 2013. Nesse ano, devem lançar os v. 1 e 4.
  • Jonas Habat

    Enfim alguem escreveu sobre as cochonilhas ja naum sabia mais oq fazer aqui em casa.

    • fredtgorski

      Oi Jonas

      Que bom que o artigo te foi útil! Espero que consigas combater as cochonilhas e tuas plantas fiquem bem fortes.
      Abraço

  • Henrique Toniato Galwo

    Tenho lido os artigos que tem saido do Renato Ximenes, um ótimo pesquisador. Inclusive comprei o livro dele que é muito bom.

  • Jovelina Havana Cortes

    Adoooooooooooooooreeeeiiiiiiii Ximenes, voce sempre me salvando com seus conhecimentos né? Danado!!!

  • Levino Duarte Santos

    O renato mora aqui em Lisboa? parabéns pelo artigo.