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Dicas para um jardim orgânico: controle de pragas

Desde que adquiri um iPad, uma das buscas que fiz, até para composição do blog, foi descobrir ferramentas que auxiliem no exercício da profissão do paisagista, ou do jardineiro. Uma das descobertas mais gratificantes foi, como já foi dito aqui anteriormente, o aplicativo da revista Gardening How-to, da National Home Gardening Club, dedicada ao exercício amador da jardinagem. Ao contrário de nossas publicações nacionais, muitas vezes imbuídas de publicidade no próprio texto, a GHt é uma publicação equilibrada, que prefere manter seus anúncios a parte do texto, e pauta-se por uma política editorial muito bem definida.

Em reconhecimento a esse esforço e querendo entregar aos leitores do blog o melhor tipo de informação, decidi vasculhar o aplicativo, que traz edições gratuitas, em busca de informações que possam ser bem aproveitadas também por aqui, respeitando-se, é claro, as especificidades locais.
Minhas primeiras considerações serão sobre o controle de pragas, abordado no último número, sem radicalismo de qualquer tipo. A matéria, escrita por …, trouxe reflexões úteis tanto do ponto de vista da prevenção, quanto de quem não a fez e agora passa por mal bocados com suas plantas atacadas por toda sorte de insetos (devemos reconhecer, é mais do que necessário conhecê-los e aprender a conviver com eles).


Paciência, perseverança e… Prazer, e mais um quarto “P”.

Em primeiro lugar, no manejo de qualquer tipo de jardim, vale a lei dos três “P’s” – Paciência (muita), perseverança (especialmente no começo) e prazer (muito, porque é isso mesmo que procuramos). Nossa é prática é, pois, de um tipo de hedonismo bastante especial. Seguindo-se a regra dos dois primeiros “P’s”, o terceiro vem a caminho e você poderá descobri-lo sozinho.

Falarei, portanto, dos dois primeiros…

Paciência

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Conhecer os insetos que habitam nossa horta e jardim são os primeiros passos para se conseguir uma convivência harmoniosa com eles. Sim, eles são feios, às vezes, mas lembre-se de que estética é uma questão bastante relativa na natureza. Como dissemos nos artigos sobre compostagem, os habitantes de sua composteira são, na verdade, daquele tipo que podemos chamar de amigos, e aqui, também podemos aprender que há muita relatividade quando estamos a tratar de biologia: se você nunca prestou atenção no assunto, pesquise um pouco sobre as pragas na Austrália, e como diversos animais foram sendo introduzidos para conter pragas anteriores e aos poucos se tornando no foco do problema.
A questão, portanto, é saber quem vive, quem sobrevive de tal ou tal espécie vegetal, quem atrai ou repele polinizadores.
Um exemplo clássico são as borboletas. Elas são apreciadas no jardim, mas podem causar vários danos, especialmente nas hortas, em sua fase larval. A Pieris brassicae, a borboleta branca que põe ovos amarelos e infesta as couves, poliniza diversas espécies.
Formigas são outro exemplo clássico. Porquanto invadam as casas e até destruam as plantações se mal controladas, podem ser um agente de controle se soubermos exatamente o que fazer. Outro animal pouco apreciado e importante agente polinizador são as mamangabas, aquele inseto preto e peludo que voa como se estivesse cego e que poliniza o nosso maracujá.

Perseverança

Como visto anteriormente é preciso saber esperar para aprender. A perseverança é outro fator relevante, porque as coisas nem sempre saem como esperado, simplesmente porque não estamos acostumados a lidar, tanto em termos de abrangência quanto em termos de especificidade, com os fatores que um jardim pode nos exigir.

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Por isso é preciso saber insistir e até reconhecer que precisa-se de ajuda. Muitas vezes, vamos precisar utilizar inseticidas, e nesse caso, o melhor buscar uma ajuda especializada, para encontrar remédios que atuem sobre o tipo de pragas específicos, sem danificar o meio ambiente.
Nesse caso, é preciso também redobrar o cuidado, uma vez que a idéia do ecologicamente correto pode mascarar produtos que tenham justamente o efeito contrário. Fique atento às palavras encontradas no rótulo:

  • Atenção: significa pouco tóxico, mas pode causar problemas se ingerido.
  • Cuidado: Tóxico, pode causar sérios problemas.
  • Perigo: maneje com muito cuidado, extremamente tóxico.

Observe sempre o período de carência: tempo a ser observado entre a aplicação e o consumo.

Quarto “P”: Promiscuidade

Quanto a natureza, não nos valhamos dos princípios morais que regem os homens. A promiscuidade, quero dizer, a interação entre as espécies é um fator a ser seguido, nunca evitado. Procure estudar as espécies e satisfazer suas necessidades com outras que troquem entre si alguma espécie de “troca de favores”, protegendo-se e proporcionando ambiente favorável ao seu desenvolvimento.

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.