Home / Jardinagem / No dia dos namorados, dê um manjerico de presente

No dia dos namorados, dê um manjerico de presente

manjerico, ocimum minimum, dia dos namorados

Manjerico é o nome que se dá ao Ocimum minimum L., e também ao vaso regalado pelo moço à rapariga

Dia 12 é dia dos namorados. Dia 13, de Santo Antônio. Vocês sabem, o santo casamenteiro. Faz sentido, ou ao menos já fez muito sentido: namora-se antes, casa-se depois. Do santo também essa pequena plantinha cujo crescimento dá-lhe quase pronta a forma de um arbusto ao estilo do bem conhecido buxinho. Manjerico, dizem-lhe os portugueses à Ocimum minimum L., planta de origem indiana, da família Lamiaceae, usada também como tempero. No Brasil, deve ser a única dentre os manjericões cultivados que não é uma variedade do Ocimum basilicum L. 

Na tradição lusitana, essa planta tem um significado especial, quase esquecido, como, amiúde, acontece com as tradições que não se adaptam ao tempo. É que , no dia 12, dão os rapazes às raparigas um pequeno vaso, também chamado manjerico, da planta, acompanhado de uma bandeirolas, na qual se escrevem quadras de Santo Antônio.  Dar um manjerico a uma moçoila é quase como fazer-lhe um pedido, um voto. E, claro, como todo relacionamento pede um pouco de tempero, o manjerico também vinha acompanhado das rimas. Podia ser assim:

 

 

Santo António, Santo António 
Ó meu Santo milagreiro
Arranja uma moça bonita
Para um rapaz solteiro.  (retirado de Blog Emrc)

Ou ainda:

Um manjerico com quadra
Faz parte da tradição
A minha ainda se guarda
Como boa recordação. (a partir de Poeta todos os dias)

Mas também podia ser uma troça. Claro, porque os rapazes (e isso ainda não deixou de ser!) são às vezes uns bobos que, ante da moça cortejada, não sabem se portar:

Ó Santo António de Lisboa 
Tu que tens fama de casamenteiro
Se o casamento fosse coisa boa
Tu próprio não ficavas solteiro! (de Blog Emrc)

No Brasil, ao menos no sul do Brasil, o termo manjerico ganhou tom pejorativo, de troça. Na minha família, era comum escutar:

– Fulana vem?

– Vem. 

– E o manjerico.

Manjerico era o nome dado a qualquer namorado ou namorada, mesmo que se soubesse fosse dar em nada. Nunca tinha me ocorrido que tivesse relação uma coisa com a outra, no entanto é provável que o termo no Brasil tenha a ver com o costume da troça. Da moça que recebe o presente, achando que ganhou um namorado, e na bandeira vem a troça.

Essa história toda me chegou hoje, logo cedo, quando dei com uma postagem do Novos Rurais. Curiosamente, ontem mesmo eu havia saído a comprar mudas para reforçar a pequena horta. A tardinha, ficamos eu e Sarah reparando um canteiro esquecido e plantamos justamente um pé de manjerico, que, no Brasil chama-se comumente de manjericão anão, ou manjericão francês. Achei muito boa a coincidência, afinal, a jardinagem não deve ser sempre uma atividade solitária. Ainda mais quando trata-se do cultivo, da comida, do construir algo juntos.

 

 

E tem sido assim aqui, como podem ver pelas fotos, aos poucos vamos montando nosso pequeno jardim comestível, cujos frutos vão dar lá na página de mesmo nome, desse Jardim de Calatéia.

Por isso, para esse dia dos namorados, depois de falar da planta, dou-lhes minha sugestão de quadra:

O manjerico comprado
Não é melhor que o que dão.
Põe o manjerico ao lado
E dá-me o teu coração. (atribuído a Fernando Pessoa)

 

 

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.