Home / Jardinagem / Que cor têm as plantas em outros planetas?

Que cor têm as plantas em outros planetas?

Se você, como eu, além de se interessar por botânicas, tem uma pequena queda por ficção científica, talvez se interesse por essa pesquisa da Nasa. Trata-se de uma tentativa de firmar um método que possa prever a cor predominante que a vegetação de um determinado planeta possa ter. Os resultados dos estudos foram publicados em dois artigos na revista Astrobiology em 2007. Para chegar às suas conclusões, os cientistas liderados por Nancy Kiang tiveram que estudar as plantas terrestres, e a forma como a incidência solar afeta a produção de alimentos por elas, através do processo conhecido como fotossíntese.

A pergunta “por que as plantas são verdes” pode lhe parecer trivial. Todo mundo sabe que a clorofila, a substância presente na maioria das plantas e fundamental para o processo de fotossíntese é verde. Por consequência, nós vemos a cor verde nas plantas porque elas a refletem e, por isso, não a absorvem (não utilizam para gerar energia etc.). O que pouca gente se pergunta, como fizeram os cientistas da Nasa, é: por que o verde?

A resposta para essa pergunta não é tão simples quanto parece, mas chegar a uma resposta pode não apenas ajudar o homem a prever como seria a vida em outros planetas, mas também a compreender melhor porque a vida se desenvolveu como se desenvolveu no nosso.

Em primeiro lugar, é preciso entender que as plantas tendem a consumir o máximo de luz disponível para converter em alimento. A faixa de radiação emitida por uma determinada estrela em consonância com a maneira como atinge a superfície de um planeta é determinante para o processo de formação dos gases que compõem a atmosfera. Conforme esses gases se formam, teremos a maior ou menor incidência de uma luz do que de outra. No nosso caso, predomina a emissão de radiação vermelha, em detrimento do verde.

Logo, as plantas precisam aproveitar o máximo de energia disponível e ignorar outras de menor relevância. Segundo a equipe de Nancy Kiang, como o verde possui uma incidência muito pequena, a maioria das plantas terrestres produz a substância clorofila como filtro de luz, impedindo a entrada de luz verde e concentrando-se na absorção de outras, como a vermelha.

Por outro lado, em ambientes terrestre com pouca luz, há bactérias que valem-se da das faixas infra-vermelhas para produzir alimento. Você já deve ter percebido que algumas plantas, as quais chamamos variegatas, possuem folhas com diversas cores? Bem, isso tem a ver com o ambiente em que vivem e a quantidade de luz que recebem.

É claro que há outros fatores envolvidos. De qualquer forma, este estudo consegue nos fazer compreender como a vida na Terra está intrinsecamente ligada as radiações que nossa estrela, o Sol, emite.  E o quê isso tem a ver com outros planetas? Se ela é assim na Terra, significa que, em outros planetas parecidos, orbitando em torno de estrelas que emitem radiações diferentes, ela também vai assumir cores e formas diferentes.

O que a equipe da Nasa fez foi, a partir dessa conclusão, trabalhar em cima de um modelo padrão que possa ajudar no desenvolvimento de telescópios que auxiliem os cientistas a prever se um planeta é mais ou menos habitável, e que formas de vida pode conter. Além disso, os cientistas afirmam que seu estudo ajuda a compreender não apenas a vida em outros planetas, mas também no nosso. Interessante, não? Pois aqui abaixo vai uma montagem, disponível no site da Nasa, de como seriam as plantas em um planeta imaginário, em que a luz vermelha está menos presente:

Modelo de vegetação em outros planetas

Ps.: O que eu fico me perguntando é se haveriam palmeiras das canárias (Phoenix canariensis) em outros planetas 😉

About Frederico Teixeira Gorski

Frederico Teixeira Gorski é bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Estudou Teatro na Universidade Estadual de Santa Catarina e iniciou seus estudos em paisagismo com a professora Jane Pilotto, no curso Paisagismo Ecológico. Desde a Psicologia, interessou-se pelo estudo do Espaço Urbano. Em 2011, criou a primeira versão do Jardim de Calatéia como blog, com a intenção de transformá-lo em um portal que reunisse artigos que abrangessem desde a Arquitetura Paisagística, até o estudo botânico, passando pelas artes visuais.